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Guerra comercial EUA-China favorece algodão do Brasil, que se torna 2º exportador mundial

Por Lúcia Müzell

Depois da soja, o algodão. A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China tem beneficiado as exportações de commodities brasileiras para Pequim, e o algodão é mais um dos que tirou vantagens desta briga. Graças à uma produção recorde na safra 2018-2019 e ao aumento da demanda dos chineses, o Brasil pulou do quarto para o segundo lugar no ranking mundial de exportadores da pluma, atrás apenas dos Estados Unidos.

Em um relatório, o banco de investimentos Rabobank, especializado no mercado agrícola, sublinha que “as exportações brasileiras devem ser as maiores da história, estimadas em 1,5 milhão de toneladas”. Os chineses compraram 35% desse total, de acordo com a Associação Nacional de Exportadores de Algodão.

No início do mês, a China abrandou as taxas adicionais cobradas da soja e do porco americanos, mas manteve as aplicadas ao algodão. Resultado: a participação dos Estados Unidos neste mercado despencou de 45%, no ano passado, para 18% em 2019.

Enquanto isso, no Brasil, a safra inédita de 2,9 milhões de toneladas recolhidas nesta temporada ajudou o país a fisgar essa oportunidade, que pode ser curta.

“Existe espaço para o Brasil colocar ainda mais algodão no mercado chinês. Eles estão voltando a comprar, nos últimos anos”, indica o analista da Safras & Mercados Élcio Bento. “O problema é ficar na dependência da tensão comercial entre chineses e americanos. É uma situação muito instável, em que um canetaço pode fazer com que tudo mude e os Estados Unidos voltem a competir no mercado chinês em pé de igualdade.”

Campo de algodão nos arredores de Cuiabá-MT Flickr/ cronicamenteorganica

Enquanto isso, a participação do algodão brasileiro no mercado chinês quadruplicou: passou de 6% para 23%. A Austrália também se beneficia, e pôde ocupar o lugar dos americanos (de 22% para 26%).

Para compensar as perdas no mercado chinês, os Estados Unidos partiram com agressividade sobre os outros maiores importadores, como Vietnã, Bangladesh, Turquia e Coreia do Sul, acirrando a competição com o Brasil e demais exportadores.

Problemas de logística afastam o Brasil da liderança

A ampliação das exportações brasileiras, entretanto, esbarra também em problemas internos – o principal deles é o de logística, pontua Elcio Bento. “O primeiro desafio do Brasil é superar gargalos internos. Os Estados Unidos têm saldo exportado de mais de 4 milhões de toneladas, e nós estamos sofrendo para pensar em colocar 2 milhões no mercado internacional”, compara. “A nossa logística de escoamento depende totalmente do porto de Santos, que não tem possibilidade de deslocar mais do que 1,8 ou 2 milhões de toneladas. Por isso, alcançar os Estados Unidos é uma etapa ainda longe.”

As dificuldades de escoamento e os altos estoques já geram pressão sobre os preços. A guerra comercial acentua o problema: no mercado internacional, o algodão é negociado a US$ 0,60, contra US$ 0,80 na época da negociação dos contratos, há mais de um ano. A diferença está levando os chineses a romperem promessas de compra.

Neste cenário, muitos produtores brasileiros se questionam se vale a pena plantar algodão de novo em 2019-2020, em alternância com a soja, ou se é melhor escolher outra alternativa por enquanto.

A ótima safra deste ano, assim como a do ano anterior, são fruto da ampliação da área plantada, principalmente no Mato Grosso, mas também na Bahia, segunda maior produtora do país. Entretanto, diante da queda dos preços, a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) estima que a área plantada ficará estável.

Potencial para crescer, mas com mais qualidade

O algodão brasileiro tem a particularidade de não precisar de irrigação, graças às boas condições climáticas. O Rabobank avalia que a produtividade brasileira pode crescer 60% nos próximos 10 anos, o que consolidaria o país como o segundo maior player mundial do setor.

Mas, para chegar lá, as plumas ainda precisam superar o obstáculo da homogeneidade, ressalta o analista da Safras & Mercados. “Existe uma dificuldade de padronizar o algodão brasileiro. Tem muitas variedades colocadas pelos produtores, e uma questão que é preciso trabalhar é padronizar o algodão para agregar qualidade”, observa Bento.

Com a economia desaquecida, o mercado interno brasileiro consome cerca de um quarto da produção nacional.

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