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Guerra entre gigantes da aviação pode afetar economia global

A disputa transatlântica entre EUA e União Europeia devido as subvenções concedidas às suas indústrias aeronáuticas está ganhando contornos de uma guerra comercial que pode ter efeitos negativos na economia global.

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

Não bastasse a guerra comercial travada pelo presidente americano, Donald Trump, contra a China, os EUA decidiram agora escalar a tensão com a União Europeia. Em questão, a disputa de 15 anos entre Washington e Bruxelas na Organização Mundial do Comércio (OMC) pelos subsídios às gigantes Boeing e Airbus, duas das maiores fabricantes de aviões do mundo.

Esta semana, a OMC deu sinal verde a um pedido do governo americano para impôr tarifas pesadas sobre produtos do bloco europeu. A retaliação comercial no valor de US$ 7,5 bilhões ao ano deve atingir produtos emblemáticos da Europa como o vinho e o queijo francês, o azeite espanhol, o whisky escocês, entre outros. Segundo o orgão de resolução de litígios da OMC, com sede em Genebra, o valor autorizado é proporcional ao apoio financeiro dado à Airbus, no período de 2011 a 2013.

Exatamente daqui a duas semanas, no dia 18 de outubro, os EUA devem anunciar as novas tarifas de importação para certos produtos oriundos da União Europeia. Estas sanções americanas contra o bloco europeu agravam ainda mais as incertezas para a economia mundial. A punição se daria via elevação de tarifas de importação.

Europeus preocupados

Nesta quinta-feira (3), o escritório da Representação Comercial dos EUA divulgou uma lista com centenas de produtos agrícolas europeus e aeronaves, que deverão ser submetidos a tarifas de 25% e 10%, respectivamente. França, Alemanha, Reino Unido e Espanha serão os países mais prejudicados por serem, segundo o governo americano, "os quatro responsáveis pelos subsídios ilegais". Vinhos, queijos, azeitonas, produtos suínos, manteiga, iogurte, café, frutas, além dos aviões da Airbus, estão na mira dos EUA. Esta é a maior sanção já aprovada pela OMC por causa de uma disputa comercial.

Os governos europeus, especialmente dos países que serão mais afetados com as sanções comerciais americanas, estão preocupados. A França foi a primeira a anunciar a intenção de adotar “medidas de represália” caso Washington realmente aplique as tarifas. O porta-voz para a área de Comércio do bloco, Daniel Rosario, disse que “se os EUA impuserem contramedidas, forçarão a UE à uma situação que teremos que fazer o mesmo”.

A comissária para Comércio do bloco europeu, Cecilia Malmström, afirmou que Bruxelas está aberta para buscar com Washington uma solução equilibrada para a disputa. Mas que ambos os lados - EUA e UE - foram considerados culpados pelo sistema de solução de controvérsias da OMC "por manterem os subsídios ilegais a seus fabricantes de aeronaves” - lembrou Malmström. Nos próximos meses, a OMC deve anunciar seu veredito sobre os subsídios fornecidos pelo governo americano à Boeing.

Briga de gigantes

A OMC tem sido palco da disputa transatlântica entre as gigantes da aviação Boeing e Airbus há 15 anos. Em 2004, os EUA decretaram o fim do acordo americano-europeu de 1992 que regulava os subsídios no setor da aeronáutica. Nesta época, Washington apresentou a primeira queixa contra a Airbus, denunciando a ajuda financeira que a empresa recebia de países da UE para o desenvolvimento de dois projetos: o superjumbo A380 e um avião menor, o A350.

Um ano depois, foi a vez da UE reclamar que a Boeing havia recebido milhões de dólares em subsídios ilegais do governo americano. Durante o longo processo, cada lado obteve vitórias parciais, adiadas até agora por vários recursos. Boeing e Airbus são as principais fabricantes de aeronaves comerciais do mundo.

 

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