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Congresso judaico pede suspensão de Anelka por "gesto anti-semita"

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Anelka (d) brinca com companheiro de clube Didier Drogba durante treinamento REUTERS/Aly Song

O Congresso Judaico Europeu (CJE) pediu neste sábado a suspensão do atacante Nicolas Anelka aos responsáveis pela Premier League, o campeonato inglês de futebol. A acusação é de que o jogador do West Bromwich Albion teria feito uma "saudação nazista" na comemoração do primeiro de dois gols que marcou no empate por três a três com o West Ham.


Na verdade, ele fez o gesto conhecido na França como "quenelle": um braço esticado e outro dobrado, com a mão na altura do ombro ou do cotovelo opostos. O gesto foi inventado pelo polêmico humorista Dieudonné, que há alguns anos faz uma série de declarações antissemitas. A última delas foi sugerir uma câmara de gás ao jornalista judeu Patrick Cohen.

Essa declaração foi a gota d'água para o ministro francês do Interior, Manuel Valls, que, na última sexta-feira, prometeu não poupar esforços para que os shows de stand-up do comediante sejam proibidos na França. Oito estão marcados para acontecer só em janeiro. Todos lotam e os ingressos não saem por menos de quarenta euros.

Seus partidários defendem que Dieudonné é um anti-sionista e não um anti-semita e que o gesto em questão não significa nada além de um grito radical contra o sistema em geral. Mas, para Moshe Kantor, presidente do CJE, trata-se de uma versão invertida do famigerado "heil, hitler".

Por isso, ele pediu em comunicado que Anelka seja punido como "se tivesse feito" a clássica saudação. Em seu Twitter, o atacante se defendeu dizendo que a "quenelle" foi simplesmente uma "homenagem ao amigo humorista Dieudonné".

Dieudonné M'Bala M'Bala que, entre suas piadas costuma dizer que tem um filho apadrinhado pelo ex-líder do partido de extrema-direita Frente Nacional Jean-Marie Le Pen, está banido da maior parte dos veículos de mídia franceses. Mas tem uma legião de fãs nas redes sociais, que lotam cada um de seus espetáculos.