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Jogos de Inverno Paralímpico Rússia Sochi

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Jogos Paralímpicos de Sochi começam em meio à crise ucraniana

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Valeriy Sushkevich, chefe da delegação ucraniana, na saída de sua entrevista coletiva nesta sexta-feira, em Sochi. Reuters

Os melhores atletas portadores de deficiência do planeta se reúnem a partir desta sexta-feira (7) em Sochi para participar da 11ª edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno. A cerimônia de abertura esta noite será marcada pelo boicote de vários países que cancelaram a presença de seus líderes ou representantes em protesto pela intervenção militar russa na Crimeia.


Os atletas paralímpicos foram acolhidos nesta quinta-feira com uma cerimônia simples na Vila Olímpica. Entre eles, os 31 ucranianos que confirmaram nesta sexta-feira sua participação no evento. Apesar da tensão provocada pela presença de tropas russas em uma das regiões do país, à beira do Mar Negro, a delegação decidiu representar o país. “ Ficamos para que as pessoas se lembrem da Ucrânia, um país soberano que enviou uma equipe aqui”, disse Valery Sushkevich, chefe do comitê paralímpico ucraniano.

"Rezo para Deus para que os paralímpicos contribuam para a paz na Europa, no mundo, e no meu país, a Ucrânia”, acrescentou. A declaração foi feita após um pedido de Sushkevich para que o presidente Vladimir Putin não ataque a Ucrânia durante a competição.

Na quinta-feira o parlamento da Crimeia pediu ao presidente Vladimir Putin a anexação da península autônoma ucraniana ao território russo e anunciou a organização de um referendo para validar a decisão.

Nesse ambiente tenso, o esquiador ucraniano Grygoriy Vovchinsky, vencedor de duas medalhas de bronze e outras duas de prata nos Jogos de Inverno de Vancouver, em 2010, lançou nesta semana um apelo para a paz em seu país.

"Nós amamos toda a Ucrânia, tal como ela é. Deixem as pessoas se exprimirem como eles bem entendem e da maneira mais simples, seja em russo, ucraniano ou inglês, isso não tem importância, e que Deus nos dê energia para aprendermos uns com os outros e que nos compreendamos mutuamente”, escreveu em sua página no Facebook.

Estados Unidos, Grã-Bretanha e França foram alguns dos países que anunciaram um boicote à cerimônia de abertura das Paralimpíadas em protesto pela política de Moscou em relação à Ucrânia.

Putin, no entanto, defendeu um evento mundial onde pessoas portadoras de deficiências possam “provar ao mundo e a elas mesmas que elas não são pessoas limitadas”. O presidente russo também denunciou todo vínculo feito com a crise na Crimeia dizendo que “seria o cúmulo do cinismo se os Jogos Paralímpicos fossem ameaçados”.

Novas modalidades nos Jogos

Dias depois da festa de encerramento das Olimpíadas de Inverno, o parque olímpico parecia vazio nesta quinta-feira, véspera do início do evento que reunirá os melhores esportistas portadores de deficiências do mundo.

O presidente Vladimir Putin, aguardado para a cerimônia de abertura, declarou a esperança de ver a Rússia voltar a repetir o resultado das Olimpíadas, ao ficar em 1° lugar no quadro de medalhas.

Um total de 575 atletas representando 45 países estão presentes no evento. Eles disputarão medalhas em um total de cinco modalidades: snowboard, biathlon, curling em cadeira de rodas, esqui de fundo, hóquei no gelo, que estreia nos Jogos.

É a primeira vez que a Rússia organiza jogos dedicados aos portadores de deficiências. O país é conhecido por ter pouca infraestrutura adaptada a essa população nos espaços públicos. Só no ano passado, por exemplo, semáforos em Moscou foram equipados com sinalizadores sonoros.

Em Sochi, ônibus adaptados fazem os trajetos na maior parte da cidade e entre os locais das competições, mas em alguns pontos altos da cidade, o acesso é difícil para quem tem necessidades especiais de locomoção.