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Atletismo brasileiro lamenta escândalo envolvendo IAAF e Rússia

Por Elcio Ramalho

O mundo do atletismo ficou mais uma vez escandalizado com a revelação da segunda etapa de investigações sobre um amplo esquema de corrupção e doping envolvendo a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) e a Federação Russa. Ao apresentar na quinta-feira (13), em Munique, os resultados do trabalho resumido em 89 páginas, a comissão independente da Agência Mundial Antidoping (WADA) afirmou que os dirigentes da entidade máxima do atletismo não podiam ignorar a extensão da rede mafiosa.

Durante a apresentação do relatório, Dick Pound, presidente da comissão independente da WADA afirmou: "Muitas testemunhas recebidas pela comissão em nome da IAAF tentaram estabelecer uma distância entre o comportamento dos investigados e a própria IAAF. A Comissão ficou consternada pela aparente falta de vontade da Federação em admitir seu comportamento, sem assumir os erros".

Na sequência, a procuradora Eliane Houlette, responsável pelo pólo financeiro da procuradoria -geral da França deu detalhes de como o esquema funcionava. Desde que foi acionado pela Interpol, em agosto de 2015, o órgão fez um trabalho de investigação envolvendo os dirigentes da IAAF e da Federação Russa de Atletismo, que dissimularam controles de doping de pelo menos 23 atletas russos para que eles escapassem de sanções previstas pelas duas entidades.

O trabalho incluiu batidas no quarto de hotel do ex-presidente da IAAF, o senegalês Lamine Diack, e de seu ex-conselheiro jurídico, Habib Cissé. Material também foi recolhido na sede da Federação Internacional, em Mônaco.

O ex-presidente da IAAF, de 82 anos, foi indiciado duas vezes pela justiça francesa por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e também por corrupção. "É um esquema de corrupção complexo", afirmou Houlette ao comentar o trabalho da justiça.

Durante a apresentação do relatório, a comissão independente citou um dos casos de corrupção: o aumento de US$ 6 milhões para US$ 25 milhões a comercialização dos direitos de transmissão do Mundial de Atletismo em Moscou para as tevês russas, após um "acordo de patrocínio" com o banco VTB. Para a comissão independente, o caso é revelador de uma "conexão entre a atribuição dos direitos de transmissão do evento para certos grupos em troca da dissimulação de controles antidopings positivos de atletas russos".

No relatório, a comissão fez uma série de recomendações para que o novo presidente da entidade, o britânico Sebastian Coe, possa promover as reformas necessárias para combater as lacunas na entidade em relação à luta contra a corrupção e fraude no sistema antidoping. A nova direção da IAAF prometeu acatar as sugestões.

CBAt lamenta escândalo

A Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) reagiu com indignação à revelação de mais detalhes sobre o esquema envolvendo a cúpula da IAAF, a Federação Russa e atletas.

"A gente vê com uma tristeza muito grande porque macula a imagem desse esporte. Foi uma decepção muito grande. Mas acreditamos que, com as pessoas certas, a IAAF dará a volta por cima, vai conseguir mitigar e extirpar esse mal que é a corrupção e o doping. Um aliado ao outro é um veneno muito ruim para o esporte", diz Thomas Mattos de Paiva, presidente da comissão antidopagem da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

A CBAt está confiante que Sebastian Coe leve adiante as reformas necessárias, como defende a comissão independente. "Os remédios amargos serão adotados. Acredito que as recomendações da WADA são de grande valia e espero que haja um ressurgimento do conceito de que o atletismo é o esporte principal combatente ao doping", diz.

O escândalo pode suspender a Federação Russa de várias competições do atletismo, como os Jogos Olímpicos do Rio de 2016. No entanto, a CBAt acredita que COI poderá resolver o problema dos atletas russos que não estejam envolvidos no esquema. Eles podem competir pela bandeira do movimento olímpico, uma opção que poderia beneficiar algumas estrelas do esporte como a bicampeã olímpica do salto com vara, Yelena Isinbayeva.

"Se os atletas, principalmente os de alto nível, considerados 'limpos', não puderem competir, será uma grande perda para os Jogos. Não ter uma Isinbayeva competindo é uma perda muito grande. Mas eu acredito que as principais estrelas, caso a federação russa não resolva a tempo os problemas, possam competir pelo movimento olímpico. Para isso, irá depender da boa vontade do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Atletismo", afirma Thomas Mattos.

Mudanças no controle brasileiro de Anidoping.

Nesta semana, a CBAt divulgou em Nota Oficial o aviso de que desde o dia 1° de janeiro de 2016 os exames de controle antidoping dos atletas brasileiros estão a cargo exclusivo da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), órgão do governo federal vinculado ao ministério dos Esportes.

A mudança é vista com cautela pela Confederação de Atletismo, que considera a proposta muito ambiciosa por parte do governo federal. "É uma atitude louvável, considerando que está atuando no Brasil inteiro, mas seria ambicioso mesmo se também estivessem assumindo o futebol. Não adianta só assumir as confederações que já tinham um padrão de qualidade", afirma Thomas Mattos de Paiva.

"Nosso temor é essa vinculação e dependência do governo, uma vez que estamos nesse momento de cortes em vários setores. Se a ABCD der conta do recado, para nós vai ser uma ótima notícia. Mas é audacioso e é preciso ter uma estrutura invejável para dar conta do tamanho do país", afirma.

"A CBAt sempre vai estar atenta para evitar que o trabalho que já tenha sido feito fique comprometido. Vamos tentar auxiliar no acompanhamento dos resultados. Nós queremos uma sinergia junto à ABCD, mas não deixaremos de estar atentos às condições para evitar um prejuízo no combate ao doping", completou.

 

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