rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

França Paris Roland Garros Gustavo Kuerten

Publicado em • Modificado em

Roland Garros inova, aumenta prêmios e quer ser o Grand Slam "mais bonito"

media
Foto: Pierre Rene-Worms

O Aberto da França que começou neste domingo, 22, e termina no próximo dia 5 de junho pretende ser um marco no projeto da Federação Francesa de Tênis (FFT) de transformar o piso de saibro de Roland Garros no torneio de referência do circuito mundial. Para a edição 2016, a direção aposta nas atrações interativas com o público e no aumento da premiação para tornar o evento cada vez mais atraente para os fãs e os tenistas profissionais.


Os torcedores e atletas já perceberam uma primeira grande mudança em relação aos anos anteriores. Por causa do estado de emergência prorrogado pela terceira vez na França depois dos atentados de novembro em Paris, a entrada ao complexo de tênis ficou bem mais controlada. Visitantes passam por detectores de metais ainda nas ruas de acesso ao estádio antes de serem revistados, assim como suas mochilas e bolsas.

O estacionamento em volta do complexo também foi interditado para a circulação quase que exclusiva de veículos credenciados. Depois de passar pelas barreiras de segurança, o público ainda percebe uma transformação do local.

A tradicional Praça dos Mosqueteiros, onde muitos se concentram para ver os jogos por imensos telões, teve as estátuas dos quatro históricos tenistas franceses retiradas até as obras serem definitivamente concluídas. Algumas quadras deram lugar a uma área de lazer e alimentação na passarela que liga a quadra principal, Philippe Chatrier à segunda mais importante, Suzanne Lenglen. O Centro Nacional de Treinamento foi demolido e os tenistas agora devem treinar em uma estrutura anexa não longe do complexo.

Justiça paralisa obras

A Federação Francesa de Tênis enfrenta na justiça um processo movido por quatro associações contrárias ao projeto de extensão do complexo, que prevê a construção de quadras no local onde se encontra o Jardim Botânico Serres d’Auteil. As obras paralisadas por decisão judicial não inibem a ambição de tornar o Grand Slam francês o "mais bonito do mundo", segundo declarou Guy Forget durante recente entrevista coletiva.

Ex-número 4 mundial (1991), Forget, de 51 anos, que assumiu a direção do torneio em fevereiro deste ano, quer tornar o saibro parisiense uma experiência inesquecível para atletas, patrocinadores e o público.
Entre as novidades este ano está o laboratório RG Lab, onde os fãs podem desafiar um robô tenista, embarcar em uma experiência 3D como um verdadeiro profissional, e ainda acompanhar as inovações tecnológicas sobre encordoamento de raquetes.

O laboratório ocupa o espaço então dedicado ao Museu do Tênis, mas ainda é possível ver objetos que mostram a evolução do tênis, como tênis e roupas, até os troféus e imagens de foto e vídeo com cenas marcantes da longa história do torneio.

Prêmios valorizados

Para os atletas, a FFT oferece este ano uma premiação mais atraente, com distribuição de mais de € 32 milhões, o que representa um aumento de 14% em relação ao ano anterior. A maior novidade é um aumento de valores para os atletas que forem eliminados nas primeiras rodadas. O objetivo, segundo explicou Forget, é estimular os atletas com menor índice no ranking. Para os vencedores dos torneios feminino e masculino de simples, o prêmio será de € 2 milhões.

"A premiação maior corresponde ao aumento das receitas do torneio", explicou Jéremy Botton, diretor-executivo da FFT.  Roland Garros fatura € 200 milhões, sendo 15% da bilheteria, 30% de patrocinadores, 30% da venda de direitos e o restante de fontes diversas, explicou. Os valores dos prêmios, no entanto, deixam o Aberto da França em terceiro lugar, atrás do US Open (€ 37,3 milhões ) e de Wimbledon (€ 33,6 milhões), mas à frente do Australian Open (€ 28,4 milhões).

Efeito Guga 

Torneio preferido de tenistas do mundo interior, Roland Garros exerce um efeito ainda mais especial sobre os brasileiros. O tricampeonato de Gustavo Kuerten (1997, 2000 e 2001) marcou as novas gerações de atletas do país,como o paulista Thomaz Bellucci. “Para mim é um torneio especial pela história que tem, pelo Guga já ter ganhado algumas vezes. E também por ser um torneio no saibro, que é meu piso favorito. É um torneio muito especial e eu sempre tenho aquele friozinho na barriga quando entro na quadra”, confessa.