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Rafaela Silva: de "lixo" à consagração olímpica

Por Elcio Ramalho

Muito antes de subir ao pódio como campeã dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, a judoca Rafaela Silva chegou a ser chamada de “lixo” e enfrentou uma depressão profunda antes de dar a volta por cima com ajuda de tratamento psicológico. Uma das responsáveis pelo trabalho que fez Rafaela desistir da ideia de abandonar o tatame foi a psicóloga Nell Salgado, que se tornou a coach desportiva da atleta no período mais difícil da carreira.

Do enviado especial ao Rio de Janeiro

Ao final de uma luta de quatro minutos na categoria até 57 kg, a judoca Rafaela Silva entrou para a história do judô e do esporte brasileiro como a primeira medalhista de ouro nas Olimpíadas do Rio 2016. Mas a trajetória que levou a menina de origem humilde ao estrelato foi cheia de obstáculos pessoais.

Durante as várias entrevistas concedidas após o ouro, Rafaela fez questão de comentar sua indignação por ter sido vítima de insultos racistas pelas redes sociais, em 2012. “Disseram que lugar de macaco era na jaula e não nas Olimpíadas”, lembrou.

Assim que foi eliminada dos Jogos de Londres, Rafaela, então com 20 anos, foi alvo de injurias que conduziram sua estima ao abismo. Um mês e meio depois de chegar das Olimpíadas de Londres, Rafaela decidiu mudar após uma palestra no Instituto Reação, criado pelo ex-judoca Flavio Canto em comunidades carentes. Na sequência, ela iniciou o trabalho com psicóloga Nell Salgado.

“Na primeira sessão, fiz um trabalho de resgate. A base do trabalho de coaching é a neurolinguística, para levar o indivíduo à autorreflexão. Perguntei à Rafaela, quem era ela, de onde tinha vindo, que tipo de superação tinha vivido. Tudo isso para trazer ao consciente e ‘alimentá-la’ porque ela não acreditava mais nela. As pessoas diziam que ela era uma vergonha nacional e ela começou a acreditar naquilo. Isso à levou para uma depressão profunda”, contou em Nell à Rádio França Internacional.

“Ela não conhecida a derrota, era só ganhar. Então, no momento dela se consagrar, ela se tornou para as pessoas, como disseram, um ‘lixo’. Meu primeiro papel foi resgatar a autoestima dela”, conta

Segundo Nell Salgado, em três sessões conseguiu fazer Rafaela refletir sobre tomar uma importante decisão em sua vida. Avaliar perdas e danos e avaliar a dor de não lutar nos Jogos Olímpicos em sua casa. “De olhos fechados, ela chorou muito”, recorda Nell. “A dor fez ela entender qual era sua missão, e, oito meses depois, Rafaela foi campeã mundial de judô na casa dela, que é o Rio de Janeiro”, lembra a psicóloga, que passou a fazer um trabalho de coaching com a atleta.

 

Rafaela Silva no tatame da Arena Carioca 2. Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach

Dez dias de euforia

Na mesma cidade e não muito longe do local onde nasceu, a menina de origem pobre da comunidade Cidade de Deus na zona oeste do Rio ganhou notoriedade de dimensões olímpicas, o que significa um grande desafio profissional para a coach Nell.

“Estou esperando uns 10 dias, deixa ela curtir essa fama para chamá-la para a realidade. Quem é a Rafaela de fato? Hoje ela é notícia, mas amanhã não pode ser mais. Ela sempre vai ser uma medalhista, mas a essência, sua história de vida não muda. Ele tem que entender isso”, afirmou.

 

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