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Rio de Janeiro Jogos Paralímpicos de 2016 Brasil Atletismo

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“Fui guerreiro”, diz Daniel Martins, medalha de ouro na Rio 2016

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Daniel Martins na chegada da final dos 400m T20. REUTERS/Sergio Moraes

A estreia do jovem Daniel Martins em Jogos Paralímpicos não podia ser mais vitoriosa e emocionante. Além de conquistar o ouro na final, o paulista de 20 anos estabeleceu um novo recorde mundial dos 400m da categoria T20.


Daniel tentou conter a emoção na execução do hino nacional, mas em vários momentos o jovem precisou levar as mãos no rosto para enxugar as lágrimas que insistiram em cair. A cena emocionou o pequeno público que ocupou apenas parcialmente o Estádio Olímpico do Rio, mas que teve a oportunidade de testemunhar um momento histórico para o esporte paralímpico do Brasil e mundial.

Aos correr a marca de 47.22s, Daniel cravou um novo recorde mundial que pertencia a ele mesmo. No mês de maio, o para-atleta já havia feito o melhor tempo da prova com 47.78s. “Fechei bem meu ano. Medalha de ouro e com quebra de recorde. Estou bem feliz e a torcida estava bem bonita”, declarou o jovem em entrevista exclusiva à Rádio França Internacional.

“Eu tenho a cabeça no lugar. Conversei com meus treinadores e fiquei calmo. Não adiantava ficar nervoso na hora”, explicou. “Eu confio bastante no meu trabalho e também no pessoal que está comigo. Eu dormi bem, fiz uma alimentação boa, e graças a Deus saí com a medalha de ouro”, completou Daniel, que corre na categoria reservada a atletas com deficiência intelectual ou cognitiva.

Seus dois principais concorrentes tiveram dificuldades em alcançar o jovem que disparou na largada e não deu chances de ser alcançado. O venezuelano Luis Arturo Paiva, ficou com a medalha de prata e o cabo-verdiano Gracelino Barbosa completou o pódio ao cruzar a linha de chegada em terceiro.

Daniel Martins chorou durante a execução do hino nacional brasileiro. REUTERS/Jason Cairnduff

Ao conquistar o ouro nos Jogos Paralímpicos do Rio, Daniel Martins realiza seu maior objetivo do ano. Detectado com deficiência intelectual depois de um choque epilético em 2012, ele começou sua carreira no ano seguinte, na sua cidade natal, Marília, no interior de São Paulo. Em 2015, ele foi nomeado Jovem Atleta do Ano pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.

Ao ser questionado sobre o exemplo que deixa com sua conquista, Daniel afirmou: “Independentemente da barreira que a gente tem na frente, não podemos desistir e tem que mostrar que é mais guerreiro nessas horas. Eu consegui mostrar que fui mais guerreiro ainda”.

Com seu nome já gravado na história paralímpica do Brasil e dos Jogos, Daniel só vê o futuro de um jeito: “Meu futuro é de mais sorrisos daqui para a frente”.