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Perda do ouro nas Olimpíadas ainda dói, diz Cristiane

Por Elcio Ramalho

Pouco mais de dois meses depois da volta à rotina de treinos e ao campeonato francês, a atacante do PSG e da seleção brasileira feminina de futebol Cristiane ainda não digeriu totalmente o fracasso do Brasil nas Olimpíadas do Rio. A equipe perdeu a disputa pela medalha de bronze e ficou em quarto lugar na competição.

“Para mim foi muito doloroso. A gente tinha uma expectativa muito grande de que talvez, pela primeira vez, a conquista do ouro viria. Eu joguei todas as energias possíveis em cima dessas Olimpíadas: dedicação, entrega, tudo. Foi um balde de água fria”, afirmou.

Cristiane se contundiu durante o jogo contra a Suécia ainda na fase de grupos da competição. Um exame de ressonância magnética constatou uma lesão na coxa direita.

“A minha lesão me jogou muito para baixo. Eu não esperava. Eu tinha começado bem os jogos e uma coisa aparentemente boba, que tinha criado uma expectativa por ter uma chance de recuperação. Mas, no final das contas, acabei não ajudando muito. Para mim, foi uma imensa decepção, a maior que eu já passei comparada com qualquer outra Olimpíada”, afirmou a atleta. Ela conversou com a Rádio França Internacional depois de uma sessão de fisioterapia no centro de treinamento do PSG.

A zagueira Érika, reserva da seleção e companheira de Cristiane no clube francês, também não superou a imensa frustração com o quarto lugar da equipe nas Olimpíadas.

“Ficou uma coisa chata dentro de mim. O nosso objetivo era chegar a uma final, pelo menos ter uma medalha e não ficar abaixo do terceiro lugar. Infelizmente, ficamos em quarto. Fora a medalha, o objetivo era mostrar para a sociedade que existia futebol feminino e que temos poder para mostrar mais”, afirmou.

Apesar da tristeza com o resultado dentro de campo, ficou na memória da jogadoras o carinho dos torcedores brasileiros que lotaram os estádios por onde a equipe passou.

“Para o povo brasileiro ficou uma outra imagem e era isso que a gente precisava. A gente precisava mostrar para a torcida e para as pessoas que curtem, que existe futebol feminino no Brasil. Por mais que seja a seleção, muita gente não conhecia. E os estádios cheios nos surpreenderam; muita gente falou do futebol feminino”, destaca Érika.

“O ponto positivo foi a torcida. A gente não imaginava que tantas pessoas iriam gostar de acompanhar o futebol feminino. Apoiaram, acima de tudo, mesmo acontecendo coisas negativas. Mas, infelizmente, sabemos que ficou só naquele momento”, lamenta Cristiane. “A realidade da modalidade caminha e vai caminhando devagar”, acrescentou.

A zagueira Érika também alerta para um entusiasmo vibrante durante os Jogos, mas que aos poucos está se perdendo.

“Infelizmente a gente começa a observar que o futebol feminino já está sendo esquecido. É momentâneo e sempre foi assim. Quando tem um campeonato muito importante, em 20, 30 dias é falado, e como nunca. Agora o futebol feminino está mais conhecido, mas se não houver continuidade, vai ficando complicado e caindo no esquecimento. Isso não pode acontecer de novo”, comenta a zagueira. 

Segundo Cristiane, o futebol feminino no Brasil precisa de uma maior divulgação e sobretudo passar por uma reestruturação.

“Tem equipes que são mais fortes do que outras. Se um torcedor foi ao estádio e vir um jogo de 10 a 0, ele não vai querer voltar. Precisa estruturar uma equipe, mas a adversária também”. Para a centro-avante, uma das opções pode ser a criação de duas séries de competição, como já existe no masculino.

“Podia ser criada uma série A e a série B, com equipes menos fortes. Mesmo que a série A for menor, mas com equipes mais equilibradas. Em outra série, com equipes menos qualificadas, com o tempo elas ganham mais experiência e equilíbrio. Mas é preciso estruturar e não largar.”

Segunda temporada no PSG

Antes mesmo das Olimpíadas, Cristiane renovou contrato com o PSG por mais uma temporada (2016/2017) e aposta na renovação iniciada pela equipe desde a chegada do novo treinador, o francês Patrick Lair. O objetivo é poder competir de igual para igual com a maior potência do futebol feminino francês o Lyon.

“Vai ser difícil, o Lyon se reforçou muito para esta temporada, mas o novo treinador já modificou bastante os treinamentos e a comissão técnica é bem profissional. Acho que ele vai desenvolver um trabalho positivo para poder brigar de igual para igual com as equipes (mais fortes). Tomara que nossa equipe se encaixe e, com o tempo, as meninas mais novas consigam desenvolver até mais responsabilidade para não jogar a carga toda em cima da gente e que o time consiga fazer um ano positivo”.

Erika, que também iniciou sua segunda temporada com o vice-campeão francês, elogiou o novo treinador: “O pouco tempo que observei dele é que é justo. Acredito que desta vez o trabalho vai fluir melhor e ganhar será consequência.”

Apesar da dificuldade de acabar com o reinado do Lyon, 11 vezes consecutivas campeão do futebol feminino francês, as ambições do time da capital são de conquistar vários títulos na temporada.

“Estou cansada de ser vice-campeã. Teremos pela frente grandes equipes e talvez as mudanças tenham sido importantes para a gente. Não vai faltar vontade de querer, correr, batalhar e brigar o tempo inteiro. Vamos fazer o nosso papel e vamos ver o resultado no final”, completou Érika.

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