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Handebol do Brasil mira Tóquio 2020 depois da decepção no Mundial da França

Por Elcio Ramalho

O 25° campeonato mundial de handebol termina neste domingo (29) em Paris como um grande sucesso. Primeiramente de público, com cerca de 540 mil torcedores nas arquibancadas, um recorde, e também pelo altíssimo nível técnico exibido pelas 24 melhores seleções do planeta durante as duas semanas de competição.

A final entre a anfitriã França e a Noruega deixou mais uma vez evidente que a Europa continua dominando o esporte, mas equipes de outras regiões mostraram a evolução do nível técnico. Foi o caso do Brasil, que passou da primeira fase e caiu nas oitavas de final devido à uma derrota no final da partida para a Espanha. Apesar do favoritismo espanhol, a diferença foi de apenas um gol, 28 a 27, e por pouco o Brasil não atingiu seu objetivo que seria passar pela primeira vez às quartas de final.

A perda do jogador Thiagus Petrus durante a competição foi um dos fatores apontados pelo treinador Washington Nunes para justificar o rendimento um pouco abaixo do esperado. Depois de desfalcar o Brasil no jogo de estreia contra a França, Thiagus chegou a disputar dois jogos seguintes em que a seleção venceu a Polônia e o Japão. Mas com a ausência do jogador defensivo, nas partidas seguintes a equipe teve que reajustar a defesa e perdeu potencial.

Apesar da decepção, o treinador Washington Nunes fez uma avaliação positiva da participação brasileira que disputou cinco jogos e venceu apenas dois. “Chegamos muito perto das nossas expectativas. Tínhamos uma meta que era chegar nas quartas de final. Fizemos uma preparação importante para o jogo contra a Espanha, a equipe já tinha um entrosamento sem a presença do Thiago. Foi uma pena ter ficado nas oitavas”, lamentou.

“Pensando a médio e longo prazo, que é o que temos que fazer, vemos que conseguimos ir até as oitavas de final nos últimos três Mundiais. Conseguimos marcar uma nova posição do Brasil que durante um tempo muito longo, em Mundiais, ficávamos entre o 23° e 22°. Saímos desse bloco para entrar no bloco dos 16 melhores do mundo. Isso foi muito bom”, avaliou.

“E nos três Mundiais perdemos por apenas um gol. Isso significa que estamos em um caminho muito próximo. Dentro desse ciclo olímpico, a gente acredita que pode avançar e passar para as quartas de final. Essa é a nossa próxima meta, tem que ir passo a passo. Temos que traçar metas possíveis e essa é possível”, avalia.

Washington Nunes lembra que alguns anos atrás, a classificação para o Mundial era a meta, mas que agora a seleção já está em outro patamar de exigência. “Hoje temos uma geração que fica incomodada com derrota. Eles não querem saber de passar para as oitavas. Eles querem ganhar. Essa é a parte mais importante. A gente estabeleceu uma equipe competitiva, que foi muito vencedora nas categorias menores, e tem esse afã de querer ganhar”, explica.

Mas velocidade nas transições de jogadas

O Mundial de handebol foi disputado pela primeira vez de acordo com as novas regras do esporte, em que o goleiro pode ser substituído por um jogador de quadra na hora do ataque. “Fomos contra a regra, mas ela está aí e não acredito que a Federação Internacional vá voltar atrás”, diz o treinador.

A competição ainda mostrou como as equipes evoluíram na rapidez e transição de jogadas entre ataque e defesa.
“É meio complicado falar isso, mas o handebol está parecendo o basquetebol. A transição virou algo impressionante. Você tinha mais tempo, os ataques eram mais longos e as transições aconteciam em determinados momentos. Agora a transição acontece o tempo todo. Você precisa ter cada vez mais um banco (de reservas) qualificado e uma rotação muito significativa dos jogadores. É preciso melhorar o retorno defensivo e o período de transição porque o jogo está cada vez mais veloz”, avalia.

O treinador da seleção brasileira Washington Nunes da Silva durante o jogo de estreia da equipe no Mundial da França. REUTERS/Charles Platiau

O Mundial de handebol também funciona como grande vitrine para os jogadores se transferirem para outros clubes de ligas importantes na Europa como a Alemanha e Suécia. Segundo Washington, há rumores de que grandes clubes de handebol manifestarem interesse em contratar atletas brasileiros como Haniel e José Guilherme, que já jogam na Europa. “Tudo isso move todo mundo, no aspecto profissional e pessoal. Com melhores contratos, eles vão melhorar e teremos jogadores com mais experiência, atuando em ligas mais competitivas”.

Futuro olímpico

O planejamento da seleção brasileira de handebol depende ainda da eleição do novo presidente da entidade, na eleição marcada para o início de janeiro. Mas o calendário do próximo compromisso oficial da seleção brasileira já está definido: é a disputa dos Jogos Panamericanos de 2019, em Lima, que classificam a equipe campeã para a disputa das Olimpíadas do Japão, em 2020.

“Precisamos trabalhar essa equipe em competições e até jogos amistosos para que ela tenha uma nova ‘cara’ para o próximo ciclo olímpico. Temos que ganhar os Panamericanos para cumprir o objetivo de disputar as Olimpíadas”, concluiu.
 

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