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Derrota humilhante para o Barcelona é golpe duro na imagem do PSG

Por Elcio Ramalho

A eliminação dramática do Paris Saint-Germain da Liga dos Campeões após a goleada humilhante de 6 a 1 para o Barcelona tem um impacto extremamente negativo para a imagem do time parisiense. Além disso, o clube poderá levar muito tempo para se recuperar de uma derrota já catalogada como uma das maiores tragédias do futebol francês, segundo especialistas e a imprensa esportiva francesa.

O gol de Sergi Roberto, após assistência de Neymar, aos 50 minutos da etapa final, jogou uma pá de cal nas ambições do clube parisiense de avançar na Liga dos Campeões e tentar levantar o troféu da competição mais prestigiosa do futebol europeu, um dos alvos fixados pelo Catar, proprietário do clube francês desde 2011.

No dia seguinte à derrota no estádio Camp Nou, os jornais do país e especialistas foram muito duros nas críticas ao time - sem poupar nenhum jogador nem o treinador Unai Emery -, e agora questionam o futuro da equipe depois de um vexame histórico.

A dimensão do que representou essa derrota e a eliminação da competição foi resumida pelo jornalista Arnaud Hermant, do diário L’Équipe, publicação esportiva de referência no país: “Uma única estatística resume o que aconteceu. Desde o início da criação da Liga europeia de futebol, nos anos 1950, nunca antes uma equipe que tinha vencido por 4 a 0 no primeiro jogo em casa tinha sido eliminada. Isso em cerca de 150 jogos mais ou menos. O PSG escreveu uma página na história e, infelizmente, um triste capítulo como o primeiro clube que viveu isso. Realmente, é uma vergonha, uma tragédia, sim”, afirmou.

Para o repórter Dominique Sévérac, que acompanha o dia-a-dia do PSG para o jornal Le Parisien, o resultado vai ter consequências profundas e duradouras para o clube: “Essa derrota é um cataclisma, um desastre, uma ruína. Ela é violenta, cruel e muito dura para a imagem do clube. Ela faz o clube regredir em termos de popularidade, notoriedade e do amor que o time conseguiu despertar. O PSG é um clube que se constrói desde 2011, pacientemente, e que começa a ter muito mais fãs no mundo inteiro, pelo Twitter, Facebook, no Brasil, na Ásia, Estados Unidos, em todos os lugares. Esse jogo contra o Barcelona é um freio nesse projeto esportivo”.

O que aconteceu na última quarta-feira em Barcelona poderá influenciar o clube até na hora de contatar futuros reforços, segundo Sévérac. “Muitos jogadores não vão querer vir jogar no time da capital francesa porque eles vão pensar: o PSG é um clube que perde nas oitavas, nas quartas de final da Liga dos Campeões, é goleado por 6 a 1. Tira toda a credibilidade que o Catar tenta construir. É terrível sobretudo no plano esportivo e em termos de imagem e de marketing”, comentou.

Marco Verratti, do Paris Saint-Germain, abatido depois do jogo contra o Barcelona. Reuters / Sergio Perez Livepic

Pesadelo terrível

Enquanto na Espanha os jogadores do Barcelona são tratados como heróis, por conseguirem ter realizado uma façanha inédita na história do futebol europeu, na França os jogadores do PSG ficarão marcados por esse resultado.

O lateral direito do Paris Saint-Germain, o belga Thomas Meunier, admitiu na saída do estádio que o clube parisiense ainda não está à altura das grandes potências do futebol europeu. "Tínhamos que ter abordado o jogo de maneira muito mais serena e profissional. Aí percebemos que ainda falta alguma coisa para que o PSG faça parte de clubes como o Bayern de Munique, o Barcelona, e de outros assim”, declarou.

Uma das críticas dos especialistas é com relação ao recrutamento considerado equivocado da direção para a temporada, como as contratações do meio-campista polonês Grzegorz Krychowiak, que entrou nos últimos minutos do jogo contra o Barcelona, e do meio-atacante francês Karim Ben Harfa, reserva que mal entra em campo. Apesar de ter visto do banco a partida contra o Barcelona, Ben Harfa fez questão de dar sua opinião sobre o moral dos jogadores.

“Foi uma noite terrível para o PSG. Vai ser preciso se recuperar logo, ainda há muitas coisas para se fazer até o final da temporada. Espero que essa derrota não nos abale muito mentalmente. Precisamos dar a volta por cima porque ainda temos o campeonato, estamos na vice-liderança, tem a final da Copa da Liga, a disputa da Copa da França. Espero que a partir de sexta-feira, todo mundo já vai ter superado, essa é a mensagem que devemos passar. A derrota já ficou para trás, é preciso pensar no final da temporada. Ainda tempos títulos em disputa, apesar de estarmos muito mal”.

Thiago Silva, o capitão do Paris Saint-Germain, e Luis Suárez do FC Barcelona. Reuters / Sergio Perez Livepic

Falta de liderança de Thiago Silva é criticada

A eliminação da Liga dos Campeões faz o clube agora se voltar para as três competições nacionais: o campeonato francês, do qual é vice-líder, e as Copas da França e da Liga, esta última com disputar na final contra o Mônaco.

Mas o resultado contra o Barcelona não vai ser esquecido facilmente. Durante análise do jogo para o programa Radio Foot Internationale, o ex-jogador de futebol Habib Beye, atualmente consultor da RFI, afirmou que esse tipo de derrota é um golpe duríssimo no moral do elenco.

“Essa derrota, que vai deixar um trauma muito grande. Já conheci derrotas que foram muito dolorosas, e para um jogador se recuperar é muito difícil. Imagino que os jogadores do PSG estão em casa, fechados e não querem falar com ninguém nas ruas. É um momento muito difícil de viver como atleta. Isso é uma grande humilhação. A palavra é forte mas não se pode esquecer que foi uma humilhação. O pior é que quando Cavani marca, o que o PSG diz ao Barça? Tudo o que vocês fizeram, tem que fazer de novo. Quer dizer: vocês fizeram três gols? Eu fiz um e agora vocês têm que fazer mais três. Você se dá conta disso? É uma humilhação, a maior catástrofe do futebol francês e do clube”, garante.

Carlos Bianchi, ex-jogador do PSG e também consultor da RFI, fez duras críticas ao capitão da equipe, o zagueiro brasileiro Thiago Silva, contestado também por boa parte da imprensa pela falta de liderança dentro do gramado.

“Thiago Silva era o capitão e em nenhum momento o vi falar com outros jogadores no campo. Orientar os companheiros para a marcação de um ou outro jogador adversário. Não vimos nada, ele não viveu o jogo como deveria. Ele era o capitão da equipe! Ele é um dos mais velhos, ele deveria ser o chefão. Mas ele não é um líder. Esse é um problema”, afirmou.

Para o jornalista do Le Parisien, Dominique Sévérac, a derrota do PSG par ao Barcelona acrescenta outra linha negativa do currículo de Thiago Silva como capitão, depois do fracasso da seleção brasileira na Copa de 2014.

“Thiago Silva é um jogador frágil, fraco, que não transmite uma garra a seus companheiros, diferentemente do David Luiz, que é capaz de provocar uma revolta e mobilizar a equipe. Vimos em 2015 no jogo do PSG contra o Chelsea, quando empatou o jogo depois de um escanteio. Ele levou a uma reação contagiosa junto a seus companheiros. Não sentimos no Thiago Silva essa capacidade de mobilizar e unir sua equipe”, afirmou.

“É difícil imaginar o PSG dispensar Thiago Silva. Ele renovou recentemente com o clube. Mas certamente um novo treinador vai questionar sobre a braçadeira de capitão e talvez escolher um outro jogador para recomeçar do zero e virar a página”, acrescentou.

Limpeza geral?

Neste ambiente pesado, a imprensa especializada já começa a especular sobre as mudanças que o clube terá que enfrentar. “É difícil imaginar que tudo vai continuar como normalmente, depois desse cenário, dessa eliminação que foi terrível, ganhar 4 a 0 de uma das melhorar equipes do mundo e depois não conseguir se classificar. Mas além disso, até na França, nas competições nacionais o PSG não é mais soberano. Não está garantido que ele vai ganhar o título do campeonato francês, e mesmo que ele ganhe as outras duas Copas que disputa", diz Hermant, jornalista do L’Équipe.

"Imagine o que representa para as ambições de um clube que tem um orçamento de mais de € 150 milhões, o que significa que ele está no Top 5 ou 6 europeu (sob o aspecto financeiro). Não conquistar nenhum troféu ou ganhar títulos secundários (na temporada), pode-se dizer que é um fracasso”, avalia

Para Sévéarc, do Le Parisien, cabeças vão rolar, mas ainda é cedo para apontar quem estará na mira dos proprietários do clube, que na temporada passada, surpreenderam ao demitir o treinador francês Laurent Blanc, por não ter conseguido fazer o PSG ficar entre os quatro melhores da Liga dos Campeões.

“Pode acontecer uma limpeza geral como na temporada passada. Certamente haverá demissões. Podemos falar de Patrick Kluivert, o diretor de futebol, Olivier Létang, o diretor esportivo, o treinador Unai Emery. Eles não deverão sobreviver depois desse fiasco. Talvez não os três, mas dois ou um deles certamente irá partir. Eles não podem sobreviver depois desse fiasco, desse fracasso monumental. O Catar vai pedir cabeças para cortar. Talvez não a do presidente (Nasser Al-Khelaifi), que é amigo do príncipe Thamin Al-Thani. É muito próximo dele e seria difícil recomeçar do zero. É provável que sejam os responsáveis pelo setor futebolístico, os diretores ou treinador que devem ser, muito provavelmente, demitidos no final da temporada”, afirma o jornalista.

 

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