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Emoção marca retorno de sobreviventes ao local do acidente da Chapecoense

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Os jogadores Hélio Neto, Alan Ruschel (à esq.), o jornalista Rafael Henzel e o goleiro Jakson Follman (à dir.), sobreviventes do acidente aéreo, durante entrevista coletiva na Colômbia em 8/05/2017.

Apoiando-se em mais duas pessoas, o goleiro Jackson Follman subiu na terça-feira (9) a montanha escarpada onde há cinco meses a maioria dos seus colegas da Chapecoense perdeu a vida e onde ele mesmo perdeu a sua perna esquerda, após o acidente de avião que transportava o time brasileiro.


Andrea Domínguez, correspondente da RFI em Bogotá

Mas naquele lugar de perdas incomensuráveis, Follman também ganhou uma oportunidade de renascer: “Eu precisava chegar até aqui para ver todo o que aconteceu. A gente sabia que tinha sido difícil, mas a gente nunca imaginou que tivesse sido tão difícil, foi um milagre de Deus, um milagre, um milagre”, repetiu Follman emocionado ao se referir ao fato de ter sobrevivido à tragédia.

O jovem futebolista, que agora sonha em representar o Brasil como esportista paraolímpico, fez o percurso no meio da chuva e da névoa próprias do lugar onde no dia 28 de novembro o avião da companhia aérea boliviana LaMia se acidentou, tirando a vida de 71 pessoas.

Junto com ele estavam seus companheiros de clube, Alan Ruschel e Hélio Neto, e o jornalista Rafael Henzel, sobreviventes da catástrofe aérea. Para todos eles, a viagem até o lugar da tragédia foi muito doloroso, mas era um momento que precisavam encarar para melhor compreender o que aconteceu, começar a virar a página e render novas homenagens às vítimas fatais.

Promessa cumprida de rever equipe médica

O ponto exato do choque é ainda uma ferida aberta na terra e tem se convertido em um lugar de peregrinação para as pessoas da região. O nome de Cerro Gordo mudou para Cerro Chapecoense, em mais uma demonstração da irmandade que se criou a partir desse desastre entre as cidades colombiana de Medellín e de Chapecó, interior de Santa Catarina.

Além de visitar o lugar do acidente, os quatro sobreviventes também se reuniram com os médicos e as enfermeiras que os atenderam nos dias críticos que seguiram à queda do avião. Emotivos abraços e palavras de gratidão foram trocados entre a equipe médica e os sobreviventes.

“Quando voltei para o Brasil fiz uma promessa para que minha mulher conhecesse os médicos e as enfermeiras que tornaram possível esse milagre. Estou aqui para cumprir minha promessa” disse Alan Ruschel, que de forma impressionante se prepara para voltar aos treinos com a equipe.

Na pequena cidade de La Unión, à qual pertence a área onde o avião caiu, os habitantes prepararam uma bela homenagem na praça central com oferendas de flores e fotos de cada uma das pessoas que morreram. Ali os sobreviventes receberam objetos e pertences que foram achados no local da queda do avião.

O acidente aconteceu às vésperas da final da Copa Sul-Americana, que acabou não sendo disputada. A pedido do Atlético Nacional, a Chapecoense foi declarada campeã do torneio intercontinental. O título deu direito ao time catarinense de disputar a final da Recopa Sul-Americana.

Estádio todo de verde

A nova equipe do Chapecoense, que também foi recebida com honras dois dias atrás no aeroporto internacional de Rionegro, se prepara para enfrentar nesta quarta-feira (10) o Atlético Nacional de Medellín na final da Recopa Sul-Americana. No primeiro confronto entre as duas equipes, no dia 10 de abril, a Chapecoense venceu por 2 a 1.

O verde deverá dominar o estádio colombiano não só pelas cores dos dois times, mas também para simbolizar o sentimento de solidariedade que se criou entre os clubes e as respectivas cidades.

O futebol é apenas parte de uma relação de dois povos unidos por uma tragédia. “Vocês fazem parte da nossa família para sempre, independentemente dos resultados no futebol, a gente vai ser sempre irmãos”, frisou Follman ao falar do jogo.