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Jogadores de futebol valem tanto quanto obras de arte na Europa

Por João Alencar

A um mês do final do mercado da bola, os valores das transferências dos jogadores de futebol nunca foram tão altos. Na Inglaterra, os clubes da primeira divisão já gastaram € 900 milhões. O recorde de € 1,3 bilhão do ano passado deve ser batido até o final de agosto. Valores que impressionam torcedores, mas que não surpreendem os economistas do futebol. Segundo eles, três razões principais explicam esses números altíssimos: a globalização do produto futebol, as cotas de televisão e participação de investidores estrangeiros com interesses políticos.

Para o economista francês e autor do livro “Le coût... Franc - As Ciências econômicas explicadas pelo futebol” (em tradução livre, editora Breal) Pierre Rondeau, a inflação no preço dos jogadores já dura mais de duas décadas.

“Nos cinco principais campeonatos europeus – Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França – o valor pago pelas cotas de televisão não param de aumentar. E isso já há 20 anos. É verdade que hoje chegou-se hoje a valores alucinantes", avalia Rondeau.

Na temporada 2016-2017, os direitos de televisão chegaram a mais de € 3 bilhões na Inglaterra, na Espanha e Itália cerca de € 900 milhões, na Alemanha € 850 milhões e na França € 780 milhões.

"Se o orçamento dos clubes cresceu graças às cotas de televisão, os canais podem pagar mais por conta da enorme globalização e o desenvolvimento do futebol em escala mundial desde os finais dos anos 90, com cada vez mais gente interessada no esporte”, completa o economista.

Valores chocantes, mas economicamente justificados

Na frente da televisão, não são apenas torcedores apaixonados que assistem a jogos transmitidos para todo o planeta. Uma grande parte desse público é somente expectadora. Mas para a economia, isso pouco importa.

Quanto mais gente se interessa pelo produto futebol, maior a venda de objetos ligados aos clubes. E para aqueles que criticam os altos salários dos craques da bola ou julgam imoral pagar tanto para um jogador, o economista Pierre Rondeau explica o porquê.

"De um ponto de vista puramente econômico, sem levar em consideração a moral, a ética ou o humanismo, esses valores são totalmente justificados. Claro que são chocantes, mas, economicamente falando, existe um mercado com oferta e procura proporcionais. Se as televisões pagam tanto, é por que elas estimam que vão ganhar ainda mais”, conclui Rondeau.

Picasso ou Neymar?

Em compensação, o preço individual de um jogador nem sempre respeita a lógica do mercado. Luc Arrondel, economista e professor da Escola de Economia de Paris, compara os preços dos contratos ao de obras de arte. Assim como um quadro de Picasso, o craque é único e desejado.

“O valor de mercado é a relação de oferta e procura, e mesmo que exista uma procura de vários clubes, o produto é único. O jogador seria, na verdade, mais uma obra de arte que uma mercadoria comum”, avalia Arrondel.

Futebol inglês: primeiro produto de exportação do país

A primeira liga inglesa é hoje o produto mais exportado da terra da Rainha. E é graças aos milhares de fãs fora da Inglaterra que os clubes têm tanto dinheiro.

“É o campeonato mais visto no mundo, pois eles conseguiram vender os direitos de televisão para vários países na Ásia, como China, Índia ou Tailândia. Além disso, há uma divisão dos valores de forma bastante igualitária entre os clubes, que os permitem comprar jogadores a preços inacreditáveis”, comenta o economista Luc Arrondel.

Investidores políticos

Além do efeito da globalização, é preciso levar em conta os investidores estrangeiros com objetivos políticos e diplomáticos cada vez mais presente nos clubes europeus.

“Podemos citar o bilionário russo Roman Abramovich no Chelsea, os investidores do Catar no PSG que não estão em busca de lucro, mas sobretudo de melhorar a imagem do país no exterior, o que chamamos de ‘soft-power’. Acontece o mesmo com os Emirados Árabes no Manchester City, assim como os chineses que começam a investir no futebol europeu. Eles sabem que é um esporte mundial, com uma ressonância planetária”, afirma Pierre Rondeau.

Nem sempre o investimento corresponde em campo

Investimentos altos significam também riscos elevados. O jornalista esportivo francês do Sambafoot.com, Dominique Baillif, cita o exemplo do jogador Lucas Moura, transferido para o PSG em 2013, por € 40 milhões. Para ele, o meia-atacante brasileiro não conseguiu justificar no campo o dinheiro pago por sua transferência.

“Lucas acabava de ser convocado para a Seleção brasileira e o PSG não hesitou em pagar para uma promessa. Hoje em dia, a gente se dá conta que se esperava muito mais do que ele mostrou em campo. O clube e torcedores parisienses acreditavam em um jogador que pudesse mudar um jogo sozinho, mas não foi o caso”, lamenta Baillif.

E na época de Ronaldo, "O Fenômeno"?

Para efeito de comparação, Ronaldo, "O Fenômeno", deixou o Barcelona para a Inter de Milão, em 1997, por € 28 milhões. Um valor quase irrisório perto dos atuais contratos do mercado da bola.

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