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Fraude Cristiano Ronaldo Imposto Real Madrid Espanha

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Cristiano Ronaldo é acusado de fraude fiscal na Espanha

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Ronaldo: "Todos temos que declarar e pagar impostos de acordo com as nossas receitas". ANDRE KOSTERS/LUSA

O português Cristiano Ronaldo, estrela maior do clube Real Madrid, compareceu nesta segunda-feira (31) perante a justiça espanhola. Suspeita-se que o jogador, o mais bem pago do mundo, tenha sonegado milhões de euros em imposto de renda. Ronaldo seria, assim, mais um milionário da bola a cair nas malhas do imperdoável Leão espanhol.


Cristiano Ronaldo, de 32 anos, se apresentou às 11h30 da manhã no tribunal de primeira instância de Pozuelo de Alarcon, um dos distritos mais ricos da Espanha, nos subúrbios de Madrid, onde residem muitas celebridades.

Durante a audiência, que durou duas horas, Cristiano Ronaldo teria sido notificado de um indiciamento por fraude fiscal no valor de €14,7 milhões.

“Sempre fiz minhas declarações de imposto de maneira voluntária, porque penso que todos temos que declarar e pagar impostos de acordo com as nossas receitas. Quem me conhece, sabe o que peço aos meus assessores: que tenham tudo em dia e corretamente pago, porque não quero problemas”, declarou Cristiano Ronaldo à juíza Mónica Gómez Ferrer.

Complexo esquema de sonegação

O ministério público espanhol suspeita que Ronaldo tenha se aproveitado de um esquema de empresas baseadas no exterior – nas ilhas Virgens Britânicas e na Irlanda, onde a tributação é muito baixa – para evitar pagar impostos na Espanha, calculados sobre a receita de contratos publicitários com grandes marcas internacionais.

A promotoria acusa Ronaldo de ter declarado suas receitas tardiamente em 2014, uma vez que ele já residia na Espanha desde 2009 – €11,5 milhões de origem espanhola ganhos no período entre 2011 e 2014. A promotoria acha ainda que o total sonegado pode chegar a € 43 milhões, se somados, segundo o ministério público, aos €28,4 milhões que ele haveria sonegado para o período 2015-2020.

Ganhando em salário e contratos de patrocínio cerca de € 76 milhões por ano, Ronaldo estaria devendo ao fisco um total de € 14,7 milhões em impostos não pagos.

Possível multa de €28 milhões

Se for indiciado e condenado, Ronaldo pode receber uma multa de “no mínimo € 28 milhões”, além de uma pena de sete anos de prisão por quatro delitos fiscais, segundo o sindicato de técnicos do ministério da Fazenda da Espanha.

Os problemas com o fisco espanhol parecem ter irritado Ronaldo. O jogador teria ameaçado abandonar o Real Madrid, segundo a imprensa local, ao ponto de levar o presidente do clube, Florentino Perez, a declarar publicamente seus méritos, assegurando que Ronaldo era “o melhor de todos nós”, numa clara tentativa de acalmar o jogador.

Não é o primeiro, nem será o último

Em 2016, o argentino Lionel Messi, atacante do FC Barcelona, foi condenado por sonegação de impostos, sendo obrigado a pagar uma multa de € 2,09 milhões, além de receber uma pena de 21 meses de prisão, comutada em multa suplementar de € 252 mil. Isto é, o equivalente a € 400 por dia de prisão.

Outro argentino do FC Barcelona, o defesa Javier Mascherano, também foi condenado em 2016, por fraude fiscal de €1,5 milhão, assim como Ángel di María (ex-Real Madrid, atualmente no Paris-Saint-Germain), que já pagou € 1,3 milhão de multa às autoridades fiscais da Espanha.

Entre os portugueses, o célebre técnico José Mourinho (Manchester United) e Fábio Coentrão (Sporting/Real Madrid) também são acusados de fraude fiscal na Espanha.

Fora do gramado, o agente e empresário de jogadores, o influente português Jorge Mendes, também já foi indiciado por ter ajudado o atacante colombiano Radamel Falcao, (ex-Atlético de Madrid/propriedade do AS Mônaco) a fraudar o fisco espanhol.

E os brasileiros?

O caso mais marcante é o de Neymar, do FC Barcelona. Um caso que remonta a 2013, quando o jogador foi transferido do Santos FC para o clube catalão, numa negociação que levantou suspeitas junto às autoridades fazendárias brasileiras.

Na terça-feira (25), a Justiça Federal de São Paulo arquivou o processo que o Ministério Público abriu contra Neymar e seu pai, Neymar da Silva Santos, além de Josep Maria Bartomeu, atual presidente do Barcelona, e Sandro Rosell, seu antecessor, por sonegação fiscal e falsidade ideológica.

A família de Neymar ainda terá que esperar por uma decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que, em março de 2017, manteve o entendimento de que houve irregularidades na transferência do jogador do Santos para o Barcelona.

Neymar, porém, ainda não se livrou das autoridades espanholas que investigam a possibilidade de fraude no mesmo caso da sua transferência para a Europa.