rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Esportes
rss itunes

Neymar coloca o PSG em uma dimensão planetária

Por Elcio Ramalho

O atacante Neymar recebeu uma recepção calorosa dos parisienses nas ruas, nas arquibancadas do Parc des Princes e até do monumento mais famoso da França. "Bem-vindo, Neymar" foi exibido na Torre Eiffel na noite do sábado (5) em homenagem ao craque brasileiro.

No estádio, milhares de torcedores coloriram as tribunas e vestiram a camisa amarela do PSG, criada em homenagem à seleção brasileira. Até bandeiras verde-amarelas surgiram em meio à torcida entusiasmada com o novo craque do time.

O nome de Neymar substituiu até o do próprio país na adaptação dos torcedores para a famosa música "Aquarela do Brasil".

O nome de Neymar foi projetado na Torre Eiffel, em Paris. 05.08.17 AFP/Olivier Morin

Foi uma acolhida digna de um "rei", como o craque foi chamado pela imprensa esportiva francesa.

Durante a apresentação à torcida no sábado, uma hora antes da estreia do Paris Saint-Germain no campeonato, com vitória de 2 a 0 para o Amiens, Neymar agradeceu o carinho em francês, para delírio dos espectadores.

Depois, já exibindo sua nova camisa 10, voltou a dizer que quer fazer história com seu novo clube.

"Estou muito feliz, vim para um novo desafio, quero contar com a ajuda de vocês e vim para marcar a história", resumiu.

Projeto ambicioso

Mesmo discurso da véspera, quando foi apresentado para os mais de 350 jornalistas presentes no estádio. Não foi o dinheiro de uma transferência milionária que o seduziu para vestir as cores do PSG, e sim o projeto do clube, que, segundo Neymar, é muito ambicioso e tem condições de ser o melhor do mundo.

"Fui bem recebido em Paris, hoje é a minha casa, estou vivendo um novo sonho, buscando novos desafios, a minha feclicidade, a de meus companheiros e a do clube", declarou.

Seu amigo e também recém contratado pelo PSG, o lateral Daniel Alves disse entender a decisão de Neymar. Por indicação do craque, Dani veio parar no Paris Saint-Germain e espera repetir o sucesso que tiveram juntos no Barcelona.

"A expectativa que causa Ney é pelo seu nome, pelo futebol que pratica e pela vontade de ‘comer o mundo’. É evidente que você dá um passo de gigante com um jogador deste nível para competir com outras equipes. Vai dar um salto de qualidade à equipe e ao clube", disse.

Segundo Dani Alves, que tinha negociação encaminhada com o Manchester City, as ambições do Paris Saint-Germain influenciaram a decisão dos dois. "Essa equipe almeja grande, e isso para a gente é motivador, por isso decidimos vir para cá. Dinheiro tem em qualquer lugar", afirmou.

Neymar foi apresentado aos torcedores no Parc des Princes, em 5 de agosto de 2017. RFI/Pierre René-Worms

Transferência do século

Foram semanas de suspense até Neymar anunciar sua decisão, que chacoalhou o mundo do futebol. A transferência de Neymar para o PSG custou € 222 milhões, o equivalente a R$ 820 milhões, e se tornou a mais cara do futebol, por isso é chamada de a "transferência do século".

No time parisiense, Neymar vai ganhar cerca de R$ 120 milhões por ano. Os números dão vertigem e provocaram uma discussão acalorada sobre a dimensão econômica que envolve o futebol mundial.

Neymar insistiu que o dinheiro não foi o que lhe motivou a trocar o Barcelona e deixar seu companheiro Messi para encarar outro grande desafio na carreira, aos 25 anos de idade.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do PSG, o catariano Nassel Al Khelaifi, disse que o clube vai honrar o "fair play" financeiro da UEFA, que estabelece que um clube deve manter suas contas em dia e equilibrar despesas e receitas.

Por trás do investimento em Neymar, está um país, o Catar, rico em petróleo e gás, que adquiriu o controle do PSG por meio de um fundo de investimentos.

Investir no esporte faz parte do chamado "soft power" (poder suave), uma maneira de influenciar decisões e melhorar a imagem por diferentes canais de comunicação como o esporte. Neymar simboliza uma nova atuação dessa estratégia.

Segundo Pascal Boniface, diretor do Instituto de Relações Estratégicas Internacionais e especialista em geopolítica do esporte, muitos ganham com Neymar: a liga francesa de futebol, o PSG e os seus proprietários, pois Neymar é um negócio rentável e o valor será recompensado.

"O PSG conta com aumento de receitas de merchadising, de venda dos direitos de transmissão para televisão. Não é porque o Catar é um país rico que ele pode fazer tudo o que quiser com o PSG, devido ao 'fair play' financeiro. Mas, realmente, há uma aposta do PSG para que os direitos de transmissão e produtos derivados, como a venda de camisas, explodam, principalmente no mercado asiático", justifica.

Euforia dos torcedores

Os torcedores parisienses estão eufóricos. Em Paris, enfrentaram imensas filas e lotaram as lojas oficiais do PSG para, em poucas horas, comprar milhares de camisas com o nome Neymar Jr. nas costas.

Sócio do clube desde 1982, Audezio da Graça, francês de origem caboverdiana, resume o que muda com Neymar: “Temos um dos três melhores jogadores do mundo. Vamos ter mais respeito, principalmente na Europa, e agora estamos no mesmo patamar de outros grandes clubes europeus”.

A imprensa francesa também comemora a vinda de Neymar. Não há dúvidas de que a liga Francesa ganha em visibilidade e que o clube entrou em uma outra dimensão. Nicolas Paillard, que há 17 anos cobre o Paris Saint-Germain para a emissora Canal +, comenta a nova visibilidade do PSG.

“Será um clube com ressonância mundial agora. Quando se tem o terceiro melhor jogador do mundo na sua equipe, ela entra no clube dos grandes como Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Juventus, por exemplo. Mesmo se o clube ainda não ganhou a Liga dos Campeões, ele está agora no mesmo nível dos maiores do planeta. Não era o caso antes”, explica.

Poderio econômico o PSG mostrou que tem, mas faltam títulos. A prioridade do clube é ganhar a Liga dos Campeões da Europa, que o próprio Neymar impediu na temporada passada na histórica vitória de 6 a 1 do estádio Camp Nou ao marcar dois gols e dar duas assistências decisivas.

Quatro meses depois de ter contribuído para destruir o sonho parisiense de ir mais longe na competição, ele desembarca no clube com a missão de erguer muitos troféus, entre eles o da Champions League, obsessão do PSG e de seus ricos proprietários. Pressão que o próprio craque diz não sentir, pelo menos nesse período de lua de mel com a direção e os fanáticos torcedores.

“Jogadores sabem que clássico contra Olympique é especial”, diz treinador do PSG

A “fábrica” de campeões olímpicos da França prepara geração para 2024

Handebol feminino do Brasil: amistosos contra a França testam nível da seleção para Mundial

PSG de Neymar e Mbappé deixou campeonato francês desnivelado, dizem brasileiros do Lyon

Um ano depois, especialistas analisam o legado dos Jogos Olímpicos do Rio

“Brasileiro precisa vencer para 24 Horas de Le Mans ser mais conhecida no país”, diz Bruno Senna

Guga recebe anel do Hall da Fama em Roland Garros: “Vir aqui é sempre especial”

“Preciso melhorar alguns detalhes para voltar entre os 50 melhores”, diz Bellucci

Hilton Vitorino, zagueiro do Montpellier: “o vovô do futebol francês”