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Contratação de Neymar é um "gol de placa" geopolítico do Catar

Por Alfredo Valladão

Além de boa pinta, simpático, e uma timidez que as fãs adoram, Neymar é um dos melhores jogadores de futebol do mundo. Com 25 anos de idade,  ele pode virar número um em pouco tempo – se não se machucar e a cuca não derreter. Essa é a aposta do clube parisiense Paris Saint-Germain. Jogo pesado: meio bilhão de euros nos próximos cinco anos.

A transferência mais cara do futebol de todos os tempos, combinada com um salário de 30 milhões de euros por ano (líquidos). Para celebrar a chegada de Neymar, nunca um clube francês havia feito um tal carnaval num estádio repleto de 45.000 torcedores em transe e 10.000 camisas “Neymar Jr. número 10” vendidas só em Paris. E tudo isso transmitido ao vivo para centenas de milhões de admiradores pelo planeta inteiro.

Mas a jogada do patrão catariano do PSG não tem nada de maluca. Neymar tem tudo para render muito mais. O garoto do Santos e do “Barça” é um jogador espetacular, que não somente decide uma partida, mas que também “joga bonito”. E o futebol moderno, super organizado e tático, morre de saudades de jogadores individuais habilidosos, elegantes e criativos, associados ao jogo da Seleção brasileira na sua época de ouro.

Não é por nada que Neymar se tornou uma estrela mundial. E o fato de ser brasileiro lhe dá mais brilho ainda. Um jogador com esse carisma transforma qualquer clube num dos mais importantes do mundo. Basta pensar na afluência aos estádios, nos direitos audiovisuais, nos patrocínios e na batelada de produtos derivados que vão estourar. E não é só o clube.

Retorno financeiro garantido

O campeonato francês é o primo pobre dos certames espanhol, inglês ou alemão. Com Neymar, a Liga francesa vai ganhar um upgrade: muito mais telespectadores do mundo inteiro, e portanto mais dinheiro entrando no orçamento dos clubes, sem contar que todos vão ser obrigados a investir muito mais e a melhorar bastante a qualidade do seu futebol para competir com o Paris Saint-Germain. Sem falar no fato que o novo número 10 vai render uns 300 milhões de euros, só de impostos, para o Ministério das Finanças francês.

O sonho do PSG é conseguir, pela primeira vez, ganhar a Liga dos campeões europeus. Uma vitória que colocaria o clube no mesmo nível que o Barcelona, o Real Madrid, o Bayern de Munique ou o Manchester United. Neymar pode ser o grande trunfo para chegar lá.

Ser membro do seleto grupo dos melhores clubes mundiais tornou-se absolutamente necessário para tirar partido da rápida globalização do futebol que está entrando de sola nos grandes mercados, chinês, indiano e africano.

Os campeonatos nacionais representam só um primeiro degrau para conseguir sobreviver e ganhar nome nessa plateia mundial. O desafio é virar um “grande” do futebol  global. Neymar sozinho, tem a vantagem de já estar globalizado.

"Gol de placa" geopolítico

Mas essa transferência milionária não é só futebol. A jogada também foi geopolítica. O PSG é controlado por fundos do Catar. E o governo catariano está enfrentando violentos ataques dos vizinhos árabes – Egito, Arábia Saudita e sobretudo os Emirados – que não aceitam mais a sua independência em matéria de política externa e a liberdade de tom da TV catariana Al Jazeera.

O Catar está ameaçado de ser asfixiado pelo embargo comercial decretado pelos países limítrofes. O “show Neymar”, com tanta grana envolvida, foi também uma maneira de mandar uma mensagem aos países árabes do Golfo: apesar de vocês, nós temos condições de gastar o que queremos e mostrar uma super imagem ao planeta que vocês nunca terão.

Melhor ainda: vamos continuar cobrando – e caro – pelo patrocínio da camisa do PSG vendido à... Emirates, a linha aérea dos Emirados. Gol de placa. Mas agora, falta Neymar dar no couro. Pode ser espetacular, mas vamos torcer para que o garoto aguente a pressão.

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