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Comitê Olímpico Internacional (COI) Corrupção Jogos Olímpicos do Rio Suborno Votação Justiça

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Ex-atleta suspeito de propina para a Rio 2016 depõe à Justiça francesa

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Captura de vídeo da TV da AFP mostra a chegada de Frankie Fredericks (à direita), membro do Comitê Olímpico Internacional, ao prédio do tribunal financeiro de Paris, em 2 de novembro de 2017 David CANTINIAUX / AFPTV / AFP

A investigação sobre as suspeitas de corrupção na atribuição dos Jogos Olímpicos ao Rio de Janeiro teve um novo capítulo nesta quinta-feira (2). O ex-velocista Frankie Fredericks depôs a um juiz de instrução de Paris, onde o Ministério Público Financeiro apura a origem de uma transferência de quase 300 mil dólares para ele no dia em que a cidade brasileira foi escolhida para sediar as Olimpíadas de 2016.


O ex-atleta namibiano, de 50 anos, chegou por volta das 8h (5h em Brasília) na seção de crimes financeiros do Tribunal de Paris, convocado pelo famoso juiz Renaud Van Ruymbeke – conhecido pelo combate aos crimes de corrupção na França. Fredericks, campeão do mundo de 200m em 1993, deixou o local depois de uma hora, sem fazer declarações à imprensa. Uma fonte próxima das investigações indicou à agência AFP que ele pode ser indiciado por participação no esquema de corrupção que teria resultado na escolha do Rio de Janeiro.

O Ministério Público Financeiro não deu detalhes sobre o depoimento. A França participa da apuração internacional porque fundos usados para comprar votos em favor do Rio transitaram por Paris.

Fredericks era integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI) desde 2012 e é visado pela Justiça francesa por ter recebido US$ 299.300 no dia 2 de outubro de 2009, dia em que a cidade brasileira saiu vencedora na disputa pelos Jogos de 2016, em votação realizada em Copenhague. Na época, ele inspecionava a votação para o COI.  

A transferência bancária, revelada pelo jornal Le Monde em março, foi feita pelo também ex-atleta Papa Massata Diack, poderoso consultor de marketing da Federação Internacional de Atletismo, dirigida pelo seu pai, Lamine Diack – ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo e personalidade influente junto ao COI.

Após a denúncia, Fredericks pediu demissão das funções no comitê olímpico. Na ocasião, o ex-velocista garantiu que o pagamento foi feito "de acordo com um contrato datado de 11 de março de 2007, relativo a um serviço prestado entre 2007 e 2011" e que a transferência "não tem nada a ver com os Jogos Olímpicos”.

Conexões com Arthur Soares e Sérgio Cabral

Três dias antes da transação bancária, o empresário brasileiro Arthur Soares, próximo do ex-governador Sérgio Cabral e conhecido no Rio como “Rei Arthur”, realizou uma transferência de US$ 1,5 milhão para uma das empresas de Papa Massata Diack, suspeito de ser a peça-chave no esquema de corrupção que marcou a votação da escolha não só do Rio de Janeiro, como de diversas outras cidades que sediaram grandes competições esportivas. Estão sob suspeita os campeonatos mundiais de atletismo de Pequim (2015) e Doha (2019) e as Olimpíadas de Tóquio de 2020.

Enquanto isso, no Brasil, o Ministério Público Federal (MPF) acusou formalmente, no último dia 18, o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, de ter integrado a rede de compra de votos para a Rio 2016. Segundo o MPF, Nuzman e o ex-governador Sergio Cabral, "solicitaram diretamente" ao empresário Arthur Soares o pagamento de 2 milhões de dólares a Papa Massata Diack. O objetivo era "garantir votos para a eleição do Rio".

Papa Massata Diack, Sergio Cabral - que está preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro -, Soares e Leonardo Gryner, antigo braço direito de Nuzman, também foram denunciados. A Procuradoria afirma que Nuzman, Gryner e Cabral se reuniram com Lamine Diack em agosto de 2009, em Berlim, durante o Mundial de atletismo. O senegalês teria sugerido tratar de subornos com seu filho.

Papa Massata Diack está na lista de pessoas mais procuradas pela Interpol, após pedido de prisão da justiça francesa. O senegalês é procurado por fraude, lavagem de dinheiro e corrupção. Seu pai, Lamine Diack, também foi denunciado pela justiça francesa na investigação sobre o escândalo de doping e corrupção que sacudiu o atletismo.

Informações da AFP