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Paixão pelo Grêmio reúne brasileiros em Paris

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Gremistas com a camisa do time em Saint-Michel Marcos Lucio Fernandes

Em um aconchegante bar em Saint-Michel, no centro de Paris, dezenas de brasileiros se reuniram na noite de sábado (16) para assistir à final do Mundial de Clubes da Fifa. O jogo aconteceu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, onde o Grêmio enfrentou o Real Madrid.


O clima era de festa e os torcedores esperavam um resultado diferente do 1 a 0 para a equipe espanhola, que conta com jogadores de peso como Cristiano Ronaldo, autor do gol que garantiu a vitória de seu time. Mas mesmo com a derrota, os brasileiros que assistiram ao jogo em Paris sentiram orgulho do papel desempenhado pelo Grêmio, como afirma Francisco, de 26 anos:

Torcedores acompanham tensos o gol de Cristiano Ronaldo Marcos Lucio Fernandes

“Eu acho que representa muita superação para os times brasileiros porque a gente sempre vai jogar contra times melhores, isso é fato. Os orçamentos são absurdamente melhores, todos os jogadores são de seleção, então eu acho que é isso que representaria se acontecesse. Uma pena que não aconteceu, que a gente não ‘acabou com o planeta’, como a gente queria muito”.

Apesar de não ter sido o melhor jogo, Francisco acredita que o Grêmio representou bem o Brasil, sobretudo com a ajuda de zagueiros talentosos como Pedro Geromel e Walter Kannemann. “Sinceramente, vão ser difíceis de segurar pelos próximos anos no Grêmio”, afirma.

História de superação

A estudante Taís, à esquerda, sofre com o resultado da partida Marcos Lucio Fernandes

Raça, garra e persistência: essas são as palavras que representam o time para a estudante Taís. “A gente está aqui com o Grêmio nessa triste derrota porque, sinceramente, Real Madrid é Real Madrid e Grêmio é Grêmio. A gente sabe que a disparidade é absurda, a folha salarial do Real Madrid frente ao Grêmio diz muita coisa. Mas o que a gente espera do Grêmio? Raça. A gente sabe que nosso time tem raça acima de qualquer coisa e hoje a gente está aqui em Paris apoiando o Grêmio sempre onde o Grêmio estiver e onde a gente estiver”.

Para a gaúcha, o Grêmio é um time grande que passou por uma fase de crise, com quase 15 anos sem nenhuma conquista, mas que está de volta com toda sua potência. “E para mostrar justamente para o eixo Rio-São Paulo, para o Galvão Bueno, que o Sul está muito mais à frente. Tem Corinthians, Flamengo, Fluminense, beleza, mas o Grêmio é muito maior, sempre”.

Disputa contra os ídolos

O confronto contra um time de peso como o Real Madrid pode ter intimidado a equipe do Grêmio, de acordo com Maurício, de 37 anos. “Talvez um ou outro tenha se impressionado com o fato de jogar com jogadores que são tidos como ídolos por eles mesmos, inclusive. Mas eu percebi que a postura de vários jogadores do Grêmio foi uma postura de igual para igual”.

O fato de que o Grêmio entrou em campo com um time parcialmente lesionado também alterou o ritmo do jogo para Maurício, que destaca uma falta de equidade na partida entre as duas equipes. “Mas acho que não foi uma disputa totalmente pendente só para o Real. Acho que se o Grêmio tivesse ‘respeitado’ menos o Real Madrid, no sentido de acreditar um pouco mais em si, teria totalmente chance de chegar talvez a uma vitória ou a um empate. Eu acho que existia essa possibilidade, talvez faltou acreditar um pouco mais em si mesmo”.

Momento de convivialidade

Com ou sem o título, a partida do Grêmio contra o Real Madrid serviu para reunir os gaúchos que moram fora do Brasil e matar um pouco a saudade do país e do futebol, como afirma Tanise Ramos, de 29 anos. “Nossa, para mim é ótimo. Estou aqui há quase 20 anos, então não tenho o costume de participar desse tipo de eventos, nem mesmo de seguir os campeonatos. Mas dessa vez foi interessante mesmo porque é uma coisa que eu não estou acostumada a fazer”, declara.

De acordo com Ana Margareth, de 59 anos, torcer junto por uma paixão em comum “esquenta o coração”. “É algo muito importante, porque mesmo que a gente saia do país e mesmo que a gente esteja muito bem em outro local, é importante manter as raízes”.

Mesmo com uma boa adaptação à cultura francesa, Ana Margareth sente falta da família e dos amigos e diz que estar entre gremistas “esquenta o coração”. “Como dizem os franceses, ‘il fait chaud au coeur’. E saber que ganhamos a Libertadores e agora participar dessa final é algo que nos orgulha. Como gaúcha e como brasileira estou orgulhosa de ter participado dessa final”.