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Marco Polo Del Nero: presidente da CBF é banido da Fifa por corrupção

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O presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, durante audiência pública na Câmara dos Deputados sobre as denúncias de corrupção envolvendo a FIFA e a CBF. Alex Ferreira/ Câmara dos Deputados

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, foi "suspenso pelo resto da vida de qualquer atividade relacionada ao futebol" por atos de corrupção, anunciou a Fifa nesta sexta-feira (27). Ele já cumpria suspensão provisória desde dezembro de 2017.


O dirigente foi condenado pela Comissão de Ética da Fifa por ter recebido subornos de empresas em troca da concessão de lucrativos contratos de direitos de transmissão de jogos na TV de torneios sul-americanos, como a Copa América, a Libertadores e a Copa do Brasil.

Del Nero, 77 anos, foi "excluído para a vida de qualquer atividade no futebol (administrativa, esportiva ou qualquer outra) nos níveis nacional e internacional", diz a Fifa em seu comunicado. Ele também terá que pagar uma multa de 1 milhão de francos suíços, cerca de R$ 3,5 milhões.

O brasileiro, advogado de profissão, foi considerado culpado de "corrupção, oferecer e receber presentes ou outros benefícios, conflito de interesses e falta de lealdade" ao código de ética da Fifa.

Del Nero assumiu oficialmente a CBF em abril de 2015, pouco antes da espetacular detenção de sete líderes da entidade em Zurique no final de maio – incluindo seu antecessor, José Maria Marin. Era o início do maior escândalo da história da Federação.

A Câmara de Investigação da Comissão de Ética da Fifa abriu um processo contra a Del Nero em 23 de novembro de 2015. Em 15 de dezembro de 2017, o cartola foi suspenso a título provisório. Del Nero também é alvo de investigadores norte-americanos no contexto deste escândalo.

"Marco Polo que não viaja"
   
Del Nero renunciou ao Comitê Executivo da FIFA no final de novembro de 2015, pouco antes de reaparecer na mira do FBI. Ele sempre negou as acusações da Justiça americana.

Ao todo, 42 pessoas, incluindo Del Nero, foram acusadas nos Estados Unidos de participar de um esquema de corrupção generalizada, que afeta principalmente o futebol sul-americano. No julgamento ocorrido em dezembro, em Nova York, testemunhas relataram que Marin e Del Nero dividiram mais de US$ 6 milhões em propinas. Apenas Marin, Juan Angel Napout (ex-presidente da Federação Paraguaia e da Confederação da América do Sul – Conmebol) e Manuel Burga (ex-líder da Federação Peruana) estavam no banco dos réus.

Marin e Napout, considerados culpados, foram detidos. Os demais acusados ou se declararam culpados e aguardam a sentença ou foram julgados em seus países. Del Nero e o ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner, de Trinidad e Tobago, conseguiram evitar a extradição para o território americano.

Del Nero nunca foi detido no Brasil. Quando parou de viajar, foi apelidado ironicamente de "Marco Polo que não viaja".

Com agências internacionais