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Foco, confiança e boa noite de sono deram a Simona Halep o sonhado troféu de Roland Garros

Por Elcio Ramalho

A nova campeã do tênis feminino em Roland Garros, a romena Simona Halep, admite: sentir milhares de pessoas a incentivando durante a final foi determinante para seu sucesso.

“Foi muita energia, com certeza. E a vibração positiva de toda aquela multidão foi incrível, eu assimilei tudo”, declarou Halep após a vitória sobre a americana Sloane Stephens em três sets (3-6, 6-4, 6-1). “Eu percebi que todos estavam torcendo e me senti mais forte na quadra”, diz a tenista número 1 do ranking mundial feminino da ATP.

 

A tenista de 26 anos precisou mesmo desta força vinda das arquibancadas não apenas de romenos, exibindo orgulhosos a bandeira do país, mas também de muitos franceses que torciam para ver um final feliz da atleta que perdeu três finais de Grand Slam - uma na Austrália e duas em Roland Garros. Em 2004, ela perdeu para a russa Maria Sharapova e no ano passado foi surpreendida pela jovem Jelena Ostapenko, da Letônia. Nesta terceira tentativa, ela não queria falhar e contou como se preparou fisicamente e psicologicamente para a grande final contra Stephens, uma adversária com quem tinha jogado sete vezes e vencido cinco.

 

“Na noite antes do jogo, na verdade, eu dormi muito bem, então comecei bem o dia. No ano passado, eu não conseguia dormir. Eu comi muito bem no café da manhã e mais um pouco antes do jogo. Percebi que tudo certo, como nos dias anteriores. Eu só tinha que estar com a cabeça tranquila e não pensar muito no troféu. Eu sabia que tinha chances de vencer. Eu havia jogado muitas vezes contra ela e sabia que era uma adversária muito difícil. Eu estava preparada para três horas de jogo. Eu sabia que seria com muitas trocas de bola, pontos longos, e eu só queria não desistir, mesmo que ela estivesse vencendo. Então, acho que a coisa mais importante que eu fiz foi ficar focada e acreditar que nunca deveria desistir.”

Toda essa preparação mental foi vista em quadra. No começo, Halep sentiu a potência da adversária. Stephens controlou a agressividade da romena e venceu o primeiro set por 6-3. A americana, 10ª do ranking mundial e que havia vencido o US Open no ano passado, começou bem o segundo set, com quebra de saque. Porém, sempre apoiada pelas arquibancadas, Halep começou sua reação espetacular. Fechou o segundo set por 6-4 e embalou: no set decisivo, abriu 5-0 e sentiu que, enfim, seu sonho estava muito próximo da realidade, fechando em 6-1.

Durante a tradicional cerimônia de premiação, Halep posou para fotos e explicou porque deu tantos beijos no troféu Suzane Lenglen. “Eu beijei muitas vezes para ter certeza que vai ficar no meu coração para sempre”, disse. “É pesado, é lindo. Sempre que via fotos desse troféu, sonhava em tê-lo, tocá-lo, e agora é um momento especial e eu estou realmente feliz que ele é meu", acrescentou.

Ao entrar na sala da coletiva de imprensa após a partida, a romena foi recebida pelos mesmos gritos que a embalaram na quadra. Sua primeira reação foi reviver o momento mágico que teve ao entrar definitivamente para a história do tênis, conquistando o primeiro Grand Slam de sua carreira.

“É um momento incrível, especial. Eu estava sonhando com este momento desde que comecei a jogar tênis. É o meu Grand Slam favorito. Eu sempre disse que se fosse para ganhar um único, queria que fosse esse. É real agora, então, sim, agradeço minha família, que me apoiou o tempo todo, desde que comecei a jogar tênis, também os treinadores e todas as pessoas com quem trabalhei durante esses 20 anos. Foi graças a eles, porque é difícil continuar trabalhando todos os dias no mais alto nível. Agradeço também todos os amigos, todas as pessoas que são realmente especiais para mim. Sem elas, provavelmente eu não conseguiria, depois de perder três finais de Grand Slam. Mas agora eu quero apenas esquecer tudo e só aproveitar este momento, porque é realmente especial.”

Com Roland Garros, Halep conquista seu 17° título na carreira. Ela não foi a única tenista a chegar ao topo do ranking sem nunca ter vencido um Grand Slam. Mas, agora, tornou-se a primeira tenista a vencer um troféu de Grand Slam estando no primeiro lugar do ranking. Por isso, se sente mais realizada.

“O fato de ter me tornado a número 1 do mundo no ano passado me deu confiança e um pouquinho de alívio, porque eu conquistei algo grande, enorme. Eu só tinha em mente ganhar um Grand Slam depois disso. O ranking já não importava mais. Agora, o fato de eu ser a número 1 e ganhar um Grand Slam me deixa muito feliz e agradecida por tudo que fiz, por tudo o que recebi das pessoas, todo o amor, todo o apoio. E também a energia que minha equipe e meus amigos me dão em cada torneio”, conclui a nova campeã da terra batida.

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