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“Não tenho unanimidade e isso não me envaidece”, diz Tite

Por Elcio Ramalho

Adenor Leonardo Bacchi.   Poucos brasileiros conhecem seu verdadeiro nome. Mas o apelido, de apenas quatro letras, virou sinônimo de orgulho, credibilidade e de esperança. Tite é o 19° treinador da seleção brasileira em uma Copa do Mundo.

Do enviado especial a Rostov-on-Don,

Aos 57 anos, comanda um grupo que traduz em campo com bons resultados a filosofia de seu trabalho coletivo, e ocupa um lugar de destaque no coração dos brasileiros. Mas, refuta a ideia de que é unanimidade no país, como sugere a imprensa.

“Não sou unanimidade e isso não me envaidece. Eu tenho respeito, isso é diferente. Tem muitas pessoas que não gostam do meu estilo e não gostam de mim. E tem pessoas com que eu tenho conflito”, afirma. “O que a gente tem é um grupo de pessoas que tem características diferentes e que tenta se potencializar e fazer o melhor trabalho possível. E esse respeito sim, é legal ter”, acrescenta.

Na véspera da partida de estreia da seleção contra a Suíça, Tite concedeu uma entrevista coletiva no estádio Rostov-on-Don, onde ele também enfrentou seu primeiro jogo de Copa.

Ele comentou como lida com esses momentos de ansiedade: “ Eu fico no meu canto, procuro assistir situações importantes, exemplos que possam acontecer na própria competição. Preparo palestra. Fico focado naquilo que é importante gastar as energias”.

“O trabalho traz uma expectativa, mas também uma paz de dizer que temos feito um trabalho de preparação muito forte e com a expectativa de um desempenho parecido nos jogos de classificação para a Copa e nos amistosos”, defendeu.

Balanço e mudanças positivos

A tranquilidade demonstrada de Tite é amparada no retrospecto de seu trabalho no comando de uma equipe que disputou 21 jogos, perdeu apenas um e deixou de marcar gols em apenas três.

Quando assumiu, em junho de 2016, o Brasil estava em sexto lugar na classificação das eliminatórias e vivia uma crise de resultados e de imagem junto ao torcedor. Tite levou o Brasil a ser a primeira seleção a carimbar seu passaporte para o Mundial, além de resgatar a confiança da torcida e dos jogadores.

Marcelo, escolhido como capitão para o jogo de estreia, elogiou o método de trabalho que mudou a seleção: “O professor mudou completamente a cara da seleção. Ele entrega tudo ‘mastigadinho’. Fica mais fácil de entender o método. Dentro dessa família que a gente construiu tem um pouquinho de liderança, de alegria, de força, cada um tem um pouquinho desse pontinho gostoso que estamos vivendo na seleção”.  

Tite e o comando técnico da seleção, do qual faz parte seu braço direito Cleber Xavier, considerado obcecado por estudar conceitos estratégicos do futebol, estabeleceram como princípio a busca por resultados a partir da preocupação constante pelo melhor desempenho, próximo da excelência. “Nós nos desafiamos. Queremos repetir a cada jogo o nosso padrão ou melhorar alguma situação estratégica”, explica.

Nessa busca permanente para aprimorar a performance da equipe, o aspecto emocional dos atletas tem um peso determinante. Por isso, Tite decidiu equilibrar o desgaste da preparação com tempo livre de lazer e para os familiares, que estão mais próximos dos atletas. 

Marcelo definiu como perfeito o plano estratégico estabelecido pelo comando técnico da seleção. “Eles estão preocupados como a gente vai ficar na concentração, se estamos perto dos familiares, se vamos ter tempo livre. Tudo isso foi muito bem pensado”, argumenta.

Contente com o trabalho realizado até o momento com sua equipe, Tite também se mostra atento com o comportamento do público que, na sua avaliação, também evoluiu.

“Ele está conseguindo diferenciar quando joga bem, quando a equipe é competitiva e mentalmente forte. Estamos mudando também esse processo de olhar desempenho e resultado”, diz.

Consciente de que desempenho sem resultado final não satisfaz o torcedor, Tite encara com bom humor a eterna cobrança dos brasileiros pelo título de campeão, reconhecendo ou não seu belo trabalho à frente da seleção.

“A gente lida com emoção. E com emoção, o cara quer ganhar, não quer saber. Perdeu e não vai ficar feliz só por que às vezes jogou bem. Não vai ficar feliz porque empatou ou perdeu, mas jogou muito. Eu tenho que compreender isso. O torcedor traz uma energia positiva, mas também diz: pô Tite, a seleção está tão legal, bem, mas traz a taça para nós no final, tá? O desfecho é sempre o mesmo”, concluiu sorrindo.

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