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Final da Copa: França descarta favoritismo e Croácia busca título inédito

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Mbappé (ao centro) realiza último treino com seleção francesa de futebol, antes da final contra a Croácia. REUTERS/Kai Pfaffenbach

A final inédita da Copa entre França e Croácia neste domingo (15) opõe duas seleções com estilos e trajetórias diferentes na competição, mas que dividem uma mesma ambição: fazer história.


A decisão entre franceses e croatas desafiou qualquer prognóstico. No entanto, o confronto coloca em campo duas seleções que mostraram eficiência e força coletiva a serviço dos valores individuais.

O percurso da França foi menos doloroso fisicamente. Considerada uma das candidatas, mas sem encabeçar a lista das favoritas, a equipe foi crescendo na competição, principalmente a partir da fase do mata-mata.

Primeira do grupo B, ao passar com vitórias sem brilho sobre Austrália (2-1) e Peru (1-0) antes de um empate sem gols com a Dinamarca, a França mostrou seu verdadeiro potencial a partir da fase seguinte.

A goleada sobre a Argentina por 4 a 3 deu grande confiança à equipe e viu desabrochar o talento do jovem atacante Mbappé. A vitória contra outra equipe sul-americana, o Uruguai, por 2 a 0, confirmou a evolução e o maior entrosamento da equipe.

A semifinal contra a Bélgica, que gerou muita expectativa desde que eliminou o Brasil, mostrou uma aplicação tática impecável, com uma defesa sólida, que chega à final com apenas quatro gols sofridos em seis jogos, sendo três contra os argentinos.

A aposta do treinador Didier Deschamps de compor uma equipe jovem com jogadores experientes se mostrou acertada.

Já a Croácia chega à final depois de uma caminhada bem mais laboriosa e sofrida. Se na primeira fase o time passou fácil com três vitórias bem convincentes sobre a Nigéria (2-0), Argentina (3-0), e Islândia (2-1), na etapa seguinte os obstáculos se mostraram bem mais difíceis. Os croatas só passaram por Dinamarca e Rússia em decisões nos pênaltis, antes de vencer os ingleses na semifinal na prorrogação. Mas o desgaste físico não deverá ser problema para encarar o jogo que pode fazer o pequeno país dos Bálcãs entrar para o seleto grupo de campeões mundiais.

Expectativas

Em entrevista coletiva na véspera da partida, o goleiro e capitão Hugo Lloris procurou descartar o favoritismo da França. Ele elogiou bastante o adversário, destacando a força coletiva dos croatas, que jogaram três prolongações até chegar à final. Lloris, que faz parte do grupo de nove jogadores franceses que disputaram e perderam a final da Eurocopa, garantiu que a preparação mental mudou para esta decisão.

Em 2016, os jogadores da França entraram na final contra Portugal já certos da vitória, e acabaram derrotados. No meio da semana, o meio campista Paul Pogba admitiu que a França, depois de passar pela Alemanha na semifinal, entrou em campo confiante na conquista diante de sua torcida no Stade de France. A dura experiência deixou uma lição, por isso, a preocupação em descartar qualquer favoritismo.

Hugo Lloris fez questão de creditar ao treinador Didier Deschamps o desempenho da equipe até a final. Segundo o goleiro, Deschamps soube adaptar planos táticos para superar os adversários sem precisar mexer na equipe. “Nós tentamos achar soluções juntos e o talento dos jogadores em campo se manifestou naturalmente. Eles são abnegados e o futebol de hoje, em alto nível, exige isso”.

Deschamps pode fazer história duplamente e integrar uma lista ainda mais seleta no futebol. Caso sua equipe conquiste a taça neste domingo, ele será apenas o terceiro homem do planeta a ser campeão como jogador e depois como técnico. Apenas o brasileiro Mário Lobo Zagallo e o alemão Franz Beckenbauer desfrutam dessa honraria.

Campeão e capitão dos “Bleus” em 1998, na única conquista da história do país, Deschamps é prudente ao abordar da final de domingo. Com a experiência dos gramados e de ter perdido a final da Eurocopa como treinador, ele aposta em uma receita para fazer história com sua equipe: calma, confiança e concentração.

Se a França busca uma segunda estrela na camisa, a Croácia vai lutar para conquistar seu primeiro trunfo. A campanha da Rússia já é a melhor do país em Mundiais. Em 1998, a equipe ficou em terceiro, após perder a semifinal contra a seleção França. Mas ninguém quer parar por aí.

Na véspera de um jogo que já tem seu lugar reservado na história do futebol croata, o capitão Luka Modric fez questão de mostrar consciência do que será um feito inédito e descartou eventuais recompensas individuais. Cotado para ser eleito um dos melhores deste Mundial, Modric diz se sentir orgulhoso com o reconhecimento, mas seu foco é na seleção e no título de campeão mundial.

O camisa 10 atribui o sucesso da equipe ao treinador Zlatko Dalic, que assumiu a Croácia em 2017, apenas 48 horas antes de um importante jogo pelas eliminatórias. Ele convenceu os jogadores de que seriam capazes de grandes conquistas. Dalic disse esperar ver amanhã 4 milhões de croatas nas ruas para comemorar um título inédito para o país. A final será às 18 horas locais, 12hs pelo horário de Brasília.

Didier Deschamps elogiou o talento de Modric, diferenciando-o de Messi e Ronaldo. O capitão é um dos candidatos ao título de melhor jogador da Copa.