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Champanhe e churrasco: como os croatas reagiram à derrota em Paris

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Torcedores croatas na capital francesa, ocupam a "péniche" Ponton Milan, em 15 de julho de 2018. Reprodução Facebook

Reunidos em sua fortaleza, o Ponton Milan, um grande barco (“péniche”, em francês) atracado às margens do rio Sena, em Paris, os fãs croatas da capital francesa, em uniforme xadrez vermelho e branco, amargaram neste domingo (15) a derrota do seu time contra os “Blues”, comemorando um jogo justo e consistente, e com bastante champanhe, “custe o que custar”.


"Vá buscar algumas salsichas no andar de baixo!" Enquanto Paris inteira ressoa com o clamor da vitória tricolor, o dono do Ponton Milan, o croata Joseph Anticevic, acende a churrasqueira e abre as garrafas de champanhe, apesar da derrota.

Entre os cerca de 60 fãs croatas que permaneceram no barco após a derrota, muitos dizem seu orgulho em festejar, apesar do placar de 4 a 2 para a França: "Se os franceses tivessem perdido, haveria uma atmosfera tão agradável em sua própria casa?"

Um pouco mais cedo, uma centena deles, decepcionados mas valentes, cantaram alegremente a canção patriótica "Moj Ivane", levantando seu copo no convés da “péniche” ancorada no sudeste de Paris. "Foi um grande jogo", analisa, Joseph Anticevic, um ex-boxeador amador que autoproclamava seu barco como uma "fan zone croata".

"Os franceses fizeram um grande jogo, eles estiveram imbatíveis ​​hoje. Mas os croatas lutaram muito bem, eles se defenderam como puderam, eu amei", declarou o chefão Anticevic. "Foi intenso, apaixonado", disse a croata Vesna Dizsdar. "Os franceses foram os mais produtivos, mas estamos muito orgulhosos de nossos jogadores, eles jogaram até o final, mesmo com quase uma partida a mais pesando nas pernas", avaliou.

"Não somos maus perdedores", disse a torcedora de 37 anos. "A partir do momento em que chegamos às semifinais, já era um bônus, então a festa não acabou! Apoiamos e estamos muito orgulhosos deles."

"Pessoas muito orgulhosas"

Certo da vitória de sua equipe no início da tarde, Ivan Cindric, de 45 anos, teve que se render às evidências. "O bloqueio francês era muito compacto, nós não os colocamos em dificuldades como deveríamos", analisa.

Ainda assim, "o jogo foi emocionante e os croatas fizeram seu jogo", disse o gerente do setor imobiliário. "Eles criaram oportunidades, mas não tiveram sucesso, o pênalti de Griezmann foi o ponto de virada do jogo, nos machucou bastante."

"Com o que a Croácia produziu como jogo, merecíamos vencer, mas os franceses foram mais realistas", acrescenta o torcedor. Apesar da derrota, ele espera que o percurso desta equipe croata "inspire outras gerações de jogadores no país". "E pode dar esperança a outros pequenos países para ir longe na Copa do Mundo", conclui.

Ao lado dele, Anna Michel-Mrzljak gira e derruba sua taça de champanhe, sem perder a elegância. "Somos um povo muito orgulhoso", disse a franco-croata de 32 anos. "Estou decepcionada, eu realmente esperava que um pequeno país de 4 milhões de pessoas vencesse a Copa do Mundo", suspira a fotógrafa, por trás de seus olhos azuis desiludidos.

"Meu pai é francês, minha mãe é croata, então minha meia nacionalidade francesa diz bravo para os franceses", ela sorri, em meio às canções de seus compatriotas.

Na parte da tarde, os fãs de vermelho e do branco se reuniram em torno das "chevape", almôndegas croatas, em um clima aconchegante. Joseph Anticevic acreditava então na vitória. Mas, segundo ele, chegando à final, seu país "já ganhou". "Fala-se em toda parte sobre a Croácia, um pequeno país de 4 milhões de habitantes, e pessoas como o rapper norte-americano Snoop Dogg apareceram com a camisa croata, já é uma vitória!", concluiu.