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Paris recebe os Gay Games e exalta tolerância e diversidade

Por Nina Santos

Começaram neste sábado (4) em Paris, os Gay Games. O evento chega à sua 10ª edição e tem como proposta usar o esporte para reunir pessoas de todos os horizontes, sem discriminação. Ele ressalta valores como a diversidade, o respeito, a igualdade, a solidariedade e o compartilhamento. Os Gay Games foram realizados pela primeira vez em 1982 em São Francisco, cidade considerada como berço do movimento LGBT.

Campeonatos especialmente focados no público homossexual têm ganhado espaço e feito multiplicar o número de equipes que se identificam com esse tema. Victor Jorge, membro da delegação brasileira no encontro em Paris, conta que chegou a se afastar do futebol por conta das piadinhas homofóbicas que ouvia em campo. Para ele, entrar para uma equipe gay foi uma forma de afirmar seu orgulho de ser o que é. “Quando eu decidi entrar para o time, eu tive essa missão de dar a minha cara a tapa. Que todos soubessem: sim, sou gay e tenho um orgulho gigantesco de ser o que sou e de jogar ao lado dessas pessoas maravilhosas que não fazem mal pra ninguém”, relata.

Flavio Amaral, seu companheiro de equipe, também relata ter percebido comportamentos discriminatórios. Ele acredita que a própria postura das pessoas no esporte incentiva esse tipo de atitude de combate e de virilidade. Mas, segundo ele, essa realidade pode ser diferente. "O esporte precisa ser um lugar de paz, de respeito, de confraternização, de tolerância. Essa é uma bandeira que levamos também para os Gay Games”, afirmou. 

Apesar de ser uma competição com um claro foco em defender a diversidade e a tolerância, as exigências esportivas não ficam em segundo plano. Flavio Amaral ressalta que há atletas de alto rendimento que encontram neste tipo de evento a oportunidade de ganhar espaço no cenário esportivo. Para ele, trata-se de uma competição que dá voz a atletas que nem sempre têm o direito de competir e participar como qualquer outro esportista.

Os Gay Games pretendem promover a diversidade através do esporte Gay Games

Valorização da diversidade

Mesmo com um nome que faz clara alusão ao público gay, a organização do evento destaca que deseja que os jogos tenham uma diversidade de idades, religiões, orientações sexuais, identidades de gênero e sexo. Artur Feighelstein já representou o Brasil nos Out Games, outra competição voltada ao público LGBT, e agora disputará as provas de remo nos Gay Games. Para ele, mais importante que a orientação sexual é a adesão à causa da diversidade. “A maioria dos atletas são gays, mas eu acho que isso não é importante, o mais importante é o discurso. Eu acho que a gente firmar um discurso contra o preconceito contra qualquer tipo de minoria é representar uma das minorias”, defende.

A discriminação no esporte é um fator importante, que muitas vezes pode determinar o futuro dos atletas. Esse impacto é ainda mais forte entre os esportistas de alto desempenho, que dependem de patrocínio para viabilizar suas carreiras. Para Feighelstein, jogos como o evento parisiense têm servem também para dar “visibilidade para que um dia não precise existir mais os Gay Games e todos os atletas possam participar normalmente em todos os tipos de competição”.

Segundo os competidores, outra questão que jogos como os Gay Games ajuda a superar é o estereótipo ligado à homossexualidade. Pessoas como quaisquer outras, eles não querem ser identificados por gostar disso ou daquilo e acreditam que mostrar que são bons nos esportes é um passo importante para vencer essa barreira, como destaca Fábio Lemes, que representará o Brasil na esgrima.

“Eu acho que tem muita gente que pensa que só porque somos homossexuais a gente não pratica esporte, que a gente não sabe jogar bola, não sabe nadar, enfim. A gente acaba caindo neste estereótipo de que não gostamos de muita coisa, ou de que gostamos de muita coisa. Então, estamos participando dos jogos pra mostrar para todo mundo que somos iguais, independentemente de orientação sexual”.

Paris rumo às Olimpíadas de 2024

A edição dos Gay Games de Paris deve receber em torno de 13 mil competidores, de acordo com Gilles Sredic, membro do conselho político da prefeitura da cidade. Ele explica que o impacto econômico direto do evento “será de algo como € 50 milhões. Mas o mais interessante para Paris é que vamos fortalecer a imagem da cidade como um destino turístico aberto à diversidade e à tolerância. Então, o impacto econômico não será apenas em agosto, mas também nos anos que virão.”

Em preparação para receber os Jogos Olímpicos de 2024, Paris terá com os Gay Games a oportunidade de mostrar ao mundo sua capacidade de receber de forma aberta e tolerante um evento esportivo de grande significado.

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