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“Gostaria que não fosse necessário um time gay”: jogadores se unem contra o preconceito

Por Marcos Lúcio Fernandes

Os casos de machismo e de homofobia ligados ao futebol não são novidade, mas se depender de times como o Bharbixas, de Belo Horizonte, o Meninos Bons de Bola, de São Paulo, ou o PanamBoyz, de Paris, as opressões no esporte estão com os dias contados. Tanto no Brasil como na França, diversas pessoas LGBT se uniram para formar equipes que, além de darem um show no campo, ajudam no combate aos preconceitos.

É o que conta o mineiro Paulo Henrique, servidor público federal de 30 anos. “Participo do Bharbixas Esporte Clube desde a primeira reunião, quando ainda nem tínhamos escolhido o nome. Fui convidado pelo Facebook por um amigo, a gente se reuniu, muita gente não se conhecia antes”. Ele conta que a ideia foi inspirada pelo Beescats, time do Rio de Janeiro, que surgiu com o conceito de fazer uma contraposição às equipes profissionais e levantar a bandeira da prática esportiva num ambiente que é considerado homofóbico. “Reunimos uma galera, a princípio de brincadeira, uma coisa recreativa, de pelada mesmo, nos fins de semana, e depois com a organização, como foram surgindo campeonatos, e possibilidade de criar uma liga, aí estruturou-se um time.”

Para Paulo, a oportunidade de praticar o esporte num ambiente longe de todos os julgamentos com relação a um modelo de masculinidade padrão foi extremamente importante em sua evolução pessoal. “Quando surgiu essa proposta, foi muito bacana porque era um ambiente mais acolhedor do que eu chegar numa pelada e não ser muito bem recepcionado por uma questão de sexualidade, que pode ser um receio das pessoas que praticam, justamente pela questão do preconceito, que está dentro da prática esportiva.”

Paulo Henrique, sorrindo à esquerda, em campo com o uniforma do Bharbixas Guilherme Sidrim

Ele explica que o Bharbixas é o único que oficialmente se apresenta como afeminado. “Não temos vergonha de assumir essa face, essa brincadeira com o feminino, nossos treinos são muito marcados pela questão de ter música pop no fundo, tem os homens que vão de salto, essa questão de brincar com o feminino é uma forma de politizar ainda mais o esporte”, afirma.

Times gays são necessários atualmente

André Machado, roteirista de 38 anos e morador do Rio de Janeiro, é o criador do time de futebol gay Beescats, o pioneiro no estado. “No futebol tradicional, no dito ‘futebol hetero’, existe muito preconceito, muitos machistas, homofóbicos, e isso afastou os gays do futebol”, opina.

A inclusão de gays no esporte é, portanto, uma forma de criar um ambiente seguro. “Para que a gente possa jogar sem ter que usar uma máscara, sem ter que fingir ser uma pessoa que você não é. Você vai encontrar seu namorado, seu amigo, sua turma, sem ter que ficar fingindo ou tolerando piadinhas homofóbicas.”

O paulista André com o uniforme do Beescats Arquivo pessoal

De acordo com André, as críticas com relação a uma possível “segregação” ao fundar um time composto somente por gays não faz sentido. “Falar em time 100% gay de futebol gera críticas, né? Porque as pessoas veem e falam ‘Ah, vocês querem inclusão, mas segregam’. Eu inverto a pergunta: eu falo, quantos jogadores a gente tem no Brasil hoje? E quantos são assumidos? Acho que tem o caso de um, agora, nos Estados Unidos. Se não tem diferença do gay pro hetero, porque não tem nenhum gay jogando futebol?”

Segundo ele, o principal motivo de existir um time gay é a criação de um debate na sociedade, que deve ser temporário. “Eu adoraria que não precisasse existir um time gay de futebol. O que a gente está fazendo com o futebol gay é pra daqui a alguns anos ter em todo lugar e não ser mais pauta. Mas pra que isso aconteça, alguém tem que começar.”

O time do Beescats Arquivo pessoal

O Brasil conta hoje com mais de 40 equipes LGBT de futebol oficiais. Existe até uma liga e um campeonato: o Champions Ligay. Na França, o clube PanamBoyz, criado em 2013, propõe uma luta não somente contra a homofobia, mas também contra o preconceito ligado às diferenças étnicas do país.

Em uma reportagem feita pela União das Associações Europeias de Futebol e divulgada nas redes sociais da equipe, o jogador Will Wenger explica a ideia por trás da atuação do time: “O objetivo do PanamBoyz é fazer com que todas as diferenças, sobretudo a homossexualidade, sejam aceitas no meio do futebol. Se um jogador profissional saísse do armário, seria mais fácil transmitir a mensagem que queremos passar, isso abriria as mentalidades.”

Futebol funciona como maneira de recuperação para homens trans

A prática do futebol, no caso de homens transgêneros, pode até ajudar a manter a boa forma, como explica Raphael, de 31 anos, fundador do Meninos Bons de Bola. “O uso do hormônio faz que alguns meninos acabem engordando e tendo alguns problemas de saúde e psicológicos. A gente percebeu que o futebol poderia ajudar nessa questão”, afirma. 

O jogador de futebol e fundador do time para homens transgêneros Raphael Gui Christ

Ele também lembra que um time somente de homens transgêneros estava faltando no Brasil. “Para homem gay e ‘cis’ e para as lésbicas tem vários lugares de prática do futebol. Para o homem ‘trans’, não. Por isso a gente decidiu fazer um time só para os meninos ‘trans’. Independente de orientação sexual a gente também gosta de praticar esportes e de jogar futebol. Pra que as pessoas parem de julgar mais e apoiar a nossa causa.”

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