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“Gorda demais para correr”: desacreditada por médicos, maratonista quebra tabus no mundo do esporte

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A maratonista Julie Creffield superou barreiras Reprodução Facebook/The Fat Girl's Guide to Running

Há seis anos, Julie Creffield recebeu uma opinião médica que poderia ter sido fatal para sua carreira: ela era “gorda demais” para correr uma maratona. Duas semanas mais tarde, a atleta inglesa contrariou o especialista e participou de uma corrida, iniciando a jornada de inspiração para diversas mulheres.


Neste domingo (4), Creffield, que comemorou recentemente seus 40 anos, se prepara para percorrer 42 quilômetros na maratona de Nova York, “um sonho que se tornou realidade”. Com sua camiseta onde se vê estampada a frase “Gorda demais para correr?”, a londrina conta como tudo começou em 2010, após ter chegado em último lugar numa corrida de pouca distância.

“Quando cheguei, não havia mais ninguém”, conta à AFP a atleta amadora. “Me senti tão envergonhada que disse a mim mesma que nunca mais correria”, conta. “Foi aí que comecei a escrever um blog”.

Em 2012, inspirada pelos Jogos Olímpicos de Londres, ela participou de sua primeira maratona na capital britânica e, em seguida, começou a correr cada vez mais frequentemente. “Corri cerca de 30 meias maratonas, ultramaratonas, triatlos, tudo o que podia representa um desafio”, afirma Creffield. Hoje ela ganha dinheiro com seu blog e prestando serviços de “coaching” a outras mulheres.

Inspiração para as mulheres

“Para mim, trata-se de inspirar as mulheres de todas as formas e tamanhos, para que elas tenham vontade de correr”, explica Creffield, ressaltando que não conhece seu peso. “Nós, corredoras maiores, não temos muita visibilidade no mundo da corrida. Quando pensamos em corredores, pensamos em pessoas grandes, magras e rápidas”, diz.

Ela afirma que as pessoas correm por diferentes motivos e não somente para perder peso ou estar em forma. As razões de Creffield, por exemplo, foram a melhora na saúde mental, o encontro com outros maratonistas e o tempo que ela gasta em sua própria companhia.

A travessia dos cinco distritos de Nova York, de Staten Island até Manhattan, será mais exigente para Julie Creffield – algo entre 6 e 7 horas, enquanto a duração normal é de 4 e 35 minutos.

Ela afirma que sofreu diversos insultos, mas nunca perdeu a coragem de correr. “As pessoas atiravam coisas em mim, me insultavam, sobretudo crianças e homens adultos”, conta. “As pessoas pensam que, como você é gorda, você é necessariamente uma iniciante. [...] Faz quinze anos que corro e as coisas nunca ficaram mais fáceis. Esse é meu ritmo”.

Ainda que alguns ainda achem que as maratonas devem ser reservadas aos atletas de elite, Creffield comemora o fato que uma maioria se mostra favorável à democratização da atividade. “Nossa missão é encorajar as mulheres, pouco importa a idade ou a capacidade”, declara Chris Weiller, porta-voz do New York Road Runners, associação organizadora da maratona da cidade.