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“É um sonho”, diz juíza brasileira escalada para Mundial feminino de futebol

A dois meses da estreia da Copa do Mundo de futebol feminino na França, a Fifa promove atualmente no Catar, o segundo seminário de preparação para os profissionais que vão atuar na arbitragem durante a competição. Entre eles está a brasileira Edina Alves Batista, que vive o ponto alto de sua carreira desde que teve confirmado seu nome como árbitra da Copa.

“Para mim é um sonho, uma coisa inexplicável de falar o que venho sentindo. Há 17 anos busco chegar a esse objetivo. Estou me preparando para dar o meu melhor dentro de campo e representar bem nosso país”, afirma a paranaense de 39 anos, que falou à RFI Brasil por telefone durante uma pausa no ritmo puxado do seminário.

“O futebol hoje é muito rápido e é preciso acompanhar os lances de perto para não ter equívocos. Você sempre tem que treinar a parte física, mental, técnica. Sempre trabalhando esses pilares para quando chegar na Copa fazer um grande trabalho”, diz sobre a preparação à qual vem se dedicando.   

Edina é a única representante do Brasil escalada para atuar como árbitra central, mas o país será representado ainda por duas assistentes, Neuza Back e Tatiana Sacilotti, que também foram confirmadas pela FIFA para atuar no Mundial.

No Catar, o trio de arbitragem verde-amarelo integra o grupo de 27 árbitras e 48 assistentes que passam por um treinamento intenso, que inclui discussões e aprendizado sobre as novas regras e o treinamento com o VAR (Video Assistant Referee), a vídeo-arbitragem que revolucionou o futebol. A tecnologia será usada pela primeira vez no Mundial feminino, o que gera muitas expectativas em quem tem a responsabilidade de conduzir a partida.  

“A FIFA não está medindo esforços para nos deixar habilitadas a trabalhar com a tecnologia e conhecer a fundo as regras. A tecnologia ajuda os árbitros, é uma ferramenta que temos que saber usar e na hora certa. E, às vezes, um mau posicionamento pode prejudicar. A tecnologia vai permitir ir à frente do monitor e decidir se mantem a decisão no campo ou muda. Essa tecnologia veio para somar no futebol”, avalia.

Edina e suas assistentes vêm acumulando experiência nos gramados em competições nacionais e internacionais como a Copa Libertadores e o Mundial Feminino Sub-20 de 2018, na França.

A paranaense de Goioerê contribui assim para dar visibilidade para um segmento do futebol feminino que não tem a mesma percepção para o público, acostumado com o brilho das atletas e treinadoras. Ela já exibe no currículo atuações na série D do campeonato brasileiro e em partidas do futebol masculino. 

A árbrita Edina Alves Batista Captura de vídeo cbftv

Preconceito em queda

Hoje, sua percepção é de que o preconceito contra o futebol feminino está em recuo. “Melhorou muito, 200%. Hoje as pessoas veem com outros olhos o futebol feminino. Nós é que temos que mostrar que merecemos um prestígio maior”, afirma, citando um aumento de competições e a exibição de mais jogos pela mídia e a participação crescente de mulheres no trio de arbitragem de jogos do sexo oposto.

Para ela, apesar das diferenças em campo, principalmente devido a maior velocidade do futebol masculino, não deve haver distinções entre homens e mulheres para atuar em partidas de futebol. “Não deve diferenciar homem ou mulher. Tem que diferenciar a qualidade. Se não houver qualidade não tem espaço”, defende.

Edina ainda não sabe quais nem quantos jogos vai apitar na Copa do Mundo da França, mas caso a seleção brasileira não avance até a fase final da competição, não descarta o desejo de se ver como representante do país na grande decisão.

“Eu vou trabalhar para isso e fazer o meu melhor, mas não sou eu que decido. O que está em minhas mãos é dar o máximo dentro das quatro linhas junto com as minhas assistentes, honrar e fazer um bom trabalho porque a oportunidade que a gente tem de representar o país e as pessoas que acreditaram em nós e nos deram oportunidade de viver esse sonho e esse momento, a gente deve a eles fazer um excelente trabalho em campo”, finalizou.  

 

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