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Com Guga, torneio de Roland Garros apresenta plataforma digital criada para o Brasil

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Guga E. Ramalho

O ex-tenista Gustavo Kuerten participou nesta terça-feira (4) no complexo de Roland Garros da apresentação oficial da plataforma digital da Federação Francesa de Tênis desenvolvida especialmente para o Brasil.


Por meio de um site e de um aplicativo, os fãs de tênis podem ver, desde o dia 23 de abril, os 841 jogos do torneio de Roland Garros, além de vídeos, documentários e entrevistas exclusivas com atletas e os protagonistas do Grand Slam francês.

É a primeira vez que a Federação Francesa de Tênis (FFT) adota esta estratégia de distribuição de conteúdo. A escolha pelo Brasil está relacionada com diversos fatores, como a parceria institucional entre os dois países, e, principalmente, a forte relação desenvolvida com a imagem do tricampeão Gustavo Kuerten (1997, 2000 e 2001), nomeado embaixador global do torneio desde 2018.

“Assim como Roland Garros, a América do Sul é o santuário da terra batida. Além disso, a história nos vincula profundamente ao Brasil com Gustavo Kuerten”, diz o presidente da FFT, Bernard Giudicelli, ao justificar a escolha do país para o desenvolvimento da plataforma inédita.

A estreita colaboração entre as duas federações também é um fator determinante e que foi ressaltado durante o evento. “Temos uma verdadeira visão do desenvolvimento do tênis mundial e da necessidade de investir nos clubes e nos jovens. Atualmente, o Brasil e França são uma união, e não apenas de fachada. É uma união enraizada no dia-a-dia do tênis brasileiro”, comentou Giudicelli na entrevista à RFI após a cerimônia.

A plataforma não pretende concorrer com a rede de televisão parceira do evento e que transmite os jogos para o público brasileiro, segundo a responsável pelo setor de difusão da FFT. O objetivo é ampliar a oferta de conteúdo para o público.

Ao final do torneio, a experiência da FFT no Brasil com a plataforma digital será avaliada e poderá ser aplicada em outros mercados com forte potencial de consumidores da modalidade esportiva.   

Durante a cerimônia, Gustavo Kuerten saudou essa nova visibilidade que o tênis ganha no país. “É a continuidade de uma história que é um símbolo para o tênis brasileiro, essa conexão com Roland Garros, com a fantasia, o sonho, as vitórias e as conquistas”, ressaltou.

O catarinense vê com bons olhos a cobertura dedicada ao torneio e a ampliação da oferta de conteúdo a partir da  iniciativa da federação francesa.

“O próprio broadcast de televisão está apostando muito no ao vivo do esporte, o que aproxima as pessoas com mais facilidade. Vai nessa tendência. Roland Garros ainda está muito aceso. Apesar de 22 anos do meu primeiro título, e quase 20 do último título, ainda parece muito próximo, as pessoas ainda saboreiam. Esse é o nosso desafio, manter vivo”, afirma.

Na entrevista à RFI, Guga lembra que o tênis no país ainda precisa se desenvolver e apostar no trabalho de formação e divulgação para voltar a ter novos expoentes como ele, único brasileiro a figurar no topo do ranking do tênis mundial.  

“A gente teve número 1 do mundo mas não foi suficiente para tornar o tênis brasileiro de maneira saudável e prolífero. Se nós tivermos uma boa equação, com muitas pessoas envolvidas, boas práticas, um local apropriado dentro de quadra, professor bem preparado, incentivando, treinadores, preparadores físicos, e o ambiente for mais frutífero, as coisas vão começar a acontecer”, diz.

Guga E. Ramalho

CBT destaca formação de base

Presente no evento, o presidente da Conferência Brasileira de Tênis, Rafael Westrupp, atribui a escolha do país para o lançamento da plataforma digital ao que chama de “ecossistema positivo”. “É reflexo de uma parceria entre as duas federações de tênis e do histórico de Guga no torneio. Roland Garros é uma marca forte no Brasil”, afirma.

Westrupp comemora a transmissão pela plataforma do primeiro jogo de um tenista brasileiro de cadeira de rodas a disputar Roland Garros. Ymanitu Silva, catarinense de 36 anos, foi convidado pela FFT e irá disputar o “quad”, categoria com limitação de membros inferiores e superiores.

O presidente da Conferência Brasileira de Tênis também reforça o trabalho com as categorias de base feito no país, que vem se destacando no circuito internacional, como outro fator que influenciou a decisão da FFT de investir na plataforma voltada para o público brasileiro.

“Estamos tendo um trabalho de base de alto rendimento muito bom. No ano passado o Brasil teve oito juvenis entre os 100 melhores do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e com a mesma quantidade da França. Isso chama muito a atenção da Federação Francesa em nos buscar para fazer parcerias”, afirma.

Um dos juvenis que se destacou é Thiago Wild, campeão do US Open de 2018. Além dele, pelo menos outros 14 nomes fazem a CBT ter esperança de que o Brasil possa de novo ter outro tenista trilhando o vitorioso sucesso de Guga.  

“Agora, é dar tempo para que esses jogadores amadureçam no circuito profissional e muito em breve possam estar despontando. Eu não tenho dúvidas que nos próximos dois ou três anos, uma nova safra e uma nova geração vão aparecer”, estima.