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Travessia transatlântica entre Le Havre e Salvador tem recorde de velejadores

Por Elcio Ramalho

A largada da 14ª edição da regata Jacques Vabre acontece neste domingo (27) com um número recorde de participantes: 60 barcos foram inscritos para a maior travessia transatlântica, entre Le Havre, no norte da França, e Salvador, na Bahia.

Realizada a cada dois anos, a Transat Jacques Vabre teve um aumento considerável e quase dobrou em relação à edição anterior, de 2017, que teve 36 barcos. 

“O aumento exponencial em relação há dois anos é porque existem novos projetos de patrocinadores que entraram na vela este ano”, justifica a catarinense Raquel Cruz, coordenadora da regata.

“Temos barcos novos que foram lançados há alguns meses que vão estrear nesta regata, e barcos mais antigos, das gerações anteriores. Para esta edição de 2019, a flotilha é bastante heterogênea”, explica.

Apesar do número recorde de participantes, de 11 nacionalidades, a maioria europeus, nenhum brasileiro foi inscrito para a edição 2019, o que não significa um desinteresse do país pela prova, segundo a organização do evento.  

Criada em 1993, a regata só teve um barco 100% brasileiro, em 2015, com Renato Araújo e Eduardo Penido, primeiro medalhista olímpico brasileiro de vela.

Na edição seguinte, o baiano Leonardo Chicourel participou com um parceiro angolano. “Há uma procura dos brasileiros pela competição. Depois de suas chegadas em Itajaí, em Santa Catarina, a regata volta para Salvador, como já aconteceu no passado, o que deve atrair um número maior de público", aposta Raquel.    

A regata Jacques Vabre é conhecida como Rota do Café porque refaz o trajeto do comércio do produto no século 17. A saída é sempre de Le Havre, o primeiro porto importador de café da Europa, e sempre tem como destino um país produtor da América Latina.

Além do Brasil, a regata já teve chegadas em Costa Rica e Colômbia. Para os aventureiros, o trajeto é um grande desafio. 

“Do ponto de vista esportivo, é a mais longa travessia do oceano Atlântico, com 3.250 milhas náuticas, o equivalente a 8.500 km de extensão. É a única regata que cruza os dois hemisférios e tem apenas dois velejadores a bordo”, ressalta Raquel.  

Outras regatas que chegam ao Brasil, como a Ocean Race, tem 11 velejadores a bordo. “O esforço físico e mental com apenas dois velejadores a bordo é extremo. A preparação dura meses e até mais de um ano para eles estarem 100% prontos para a regata. Do ponto de vista de distância e tripulação, é uma regata extrema e por isso, é um dos fatores que a tornam muita conhecida no mundo da vela”, declara. 

Raquel Cruz, coordenadora da travessia transatlântica Jacques Vabre Divulgação

A regata Jacques Vabre distribuiu prêmios em três categorias: Class 40, Multi 50 e Imoca, com 40, 50 e 60 pés, respectivamente. Os barcos este ano trazem novidades tecnológicas que devem permitir uma travessia mais rápida.   

“Oito barcos da classe Imoca vão apresentar como novidade ‘foilers’ que devem aumentar a velocidade da embarcação.  São como asas dos dois lados do barco, pranchas de carbono que permitem ao barco flutuar por cima da  água. As asas ficam submersas e o casco não toca a água, diminuindo o atrito do barco com a água e permitindo que eles avancem  mais rápido", afirma.

Segundo a organizadora da travessia, testes mostraram que a velocidade do barco pode ser o dobro da do vento, um aproveitamento inédito. "A regata é uma prova de fogo para saber se funciona ou não, ou se tem que fazer mais adaptações.”

As inovações criam a expectativa de quebra de recordes da travessia. Na edição passada, os barcos tiveram como tempo de referência entre Le Havre e Salvador mais de 17 dias para a Class 40, 10 dias para a Multi 50 e um tempo superior a 13 dias para os monocascos da classe Imoca.

“Nos últimos dois anos, tivemos muitos barcos que foram lançados, que prometem velejar muito mais rápido do que tivemos em 2017. Se não houver nenhuma tempestade pelo caminho e nenhuma avaria nos barcos, teremos em Salvador quebra de recordes em relação ao tempo da prova”, prevê Raquel Cruz.

“A vela é um esporte que depende muito da meteorologia, que muda constantemente. É difícil de ter uma ideia precisa, mas a gente acredita que o tempo de prova pode diminuir em um dia, o que é muita coisa”, garante.

A chegada dos primeiros barcos em Salvador deve acontecer a partir do dia 6 de novembro.

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