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Brasileiros recebem medalha olímpica 11 anos depois : “sensação de justiça e de fazer história”

Por Elcio Ramalho

Uma cerimônia em Lausanne, na sede do COI, na última quinta-feira (31), fez o Brasil erguer mais uma medalha nas Olímpiadas, com um intervalo de 11 anos. Foi a segunda medalha herdada pelo país no atletismo nos Jogos de Pequim de 2008 devido a casos de doping de adversários.

Colaboração de Valéria Maniero, correspondente da RFI em Lausanne

Foi uma longa espera para os quatro atletas que defenderam o Brasil na final do revezamento 4x100 m nos Jogos de Pequim, em 2008. José Carlos Gomes Moreira, o Codó, Vicente Lenílson, Sandro Vianna e Bruno Lins terminaram a prova em 4° lugar, e ficaram a um passo do pódio, atrás da equipe do Japão, em terceiro, Trinidad e Tobago, que ficou em segundo, e da Jamaica, consagrada campeã da prova, com nada menos do que Usain Bolt como atleta principal.

Mas, um dos corredores da equipe jamaicana, Nesta Carter, que participou das eliminatórias e da prova final, foi flagrado no exame antidoping. Em janeiro de 2018, o Comitê Olímpico Internacional já havia anunciado a desclassificação da Jamaica e em dezembro do mesmo ano, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) foi oficialmente comunicado de que a equipe brasileira subiria uma posição e ficaria com a medalha de bronze. Trinidad e Tobago herdou assim o ouro, e os japoneses ficaram com a prata.

O COI e o COB acertaram a data da entrega das medalhas na sede do Comitê Olímpico Internacional em Lausanne mais de 11 anos depois da realização da prova, o quarteto brasileiro finalmente pode colocar no peito a merecida recompensa.

O velocista Bruno Lins, o único ainda em atividade, falou da emoção de ter uma medalha no peito. “Tinha a certeza que iríamos ganhar uma medalha e voltei para casa com um sentimento de certa mágoa, de ressentimento. A emoção não cabe no peito, é um momento mágico. Quando peguei a medalha na mão, comecei a chorar, as lágrimas rolaram, o que não rolou em 11 anos, rolou agora e sou medalhista olímpico”, celebrou.

"Atletas honestos"

“É uma justiça sendo feita com atletas honestos, que talvez não tiveram o brilho que deveriam ter mas tiveram a lisura de respeitar o esporte olímpico”, disse Sandro Viana, que dedicou sua medalha aos familiares e ao povo de Manaus, de onde é originário “Estou muito feliz de estar levando essa medalha para minha terra”, disse o atleta que se aposentou de competições este ano.

José Carlos tinha 25 anos quando correu a prova, e onze anos depois diz ter um sentimento de dever cumprido e vê um valor muito simbólico nesta conquista, mesmo tardia. “A adrenalina é praticamente igual, a diferença é o ambiente, não é no estádio olímpico, mas a satisfação é a mesma. O sentimento é de dever e gratidão porque não é uma medalha qualquer, é uma medalha olímpica, que te faz praticamente imortalizado no esporte. A partir desse momento não podemos pensar no que poderia ganhar, mas ver para frente e poder dar visibilidade para este esporte e que sirva de motivação para as futuras gerações”, disse.

Vicente Lenílson, que trouxe a família para prestigiar a cerimônia, lamenta não ter recebido a medalha no pódio, uma emoção que ele conhece bem, já que também foi medalhista nos Jogos de Sydney, em 2000, também no revezamento 4x100.

“São sensações diferentes. Gostaríamos que fosse no pódio, claro, sei porque fui medalhista no ano 2000. Já conheci esse glamour, mas estou feliz. O reconhecimento foi feito e subo um degrau no celeiro dos atletas que têm duas medalhas olímpicas. É uma sensação também de elevar o nome do país no quadro geral de medalhas”, afirma.

Essa foi a segunda medalha de bronze que o Brasil herdou dos Jogos de Pequim. No revezamento 4x100 feminino, as brasileiras ficaram em terceiro depois de confirmado o doping da equipe russa. A medalha foi entregue no ano passado.

Com essa nova medalha do revezamento masculino, o Brasil agora soma 17 medalhas no Jogos de 2008 e é também a 17ª medalha do Atletismo em Olimpíadas.

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