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Durante julgamento por genocídio, Karadzic diz que "merecia prêmio"

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Radovan Karadzic ri durante audiência do TPIY, nesta terça-feira, em Haia. REUTERS/ Robin van Lonkhuijsen

O ex-líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, que responde a julgamento no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIY), em Haia, afirmou nesta terça-feira que "deveria ser premiado" por seus esforços para evitar a guerra. Karadzic é acusado por vários massacres durante a guerra da Bósnia (1992-1995). O ex-líder político dos sérvios assegura sozinho sua defesa. Em uma introdução de quatro horas, ele alegou inocência perante os juízes.


"Não mereço ser acusado, mereço um prêmio por todas as minhas boas ações. Fiz tudo o que era humanamente possível para evitar a guerra e reduzir o sofrimento humano", declarou o ex-líder, em tom considerado calmo. "Proclamei numerosos cessar-fogo unilateralmente", afirmou. Definindo-se como um homem culto e "de formas suaves, que sabe entender os outros", Karadzic disse que nunca discriminou a população muçulmana da Bósnia, que ele acusou de ter iniciado o conflito.

Considerado como um dos três principais responsáveis pelo processo de "limpeza étnica" instalado nos Balcãs na década de 90, Karadizic, 67 anos, escapou da justiça durante um bom tempo. Psiquiatra de formação, ele passou vários anos usando uma identidade falsa e atuou como uma espécie de guru, exercendo medicina alternativa sob o nome de Dragan Dabic até ser desmascarado e preso, em 2008, em Belgrado. 

Karadzic, que disse hoje ter se limitado a "defender" a unidade territorial da antiga Iugoslávia, é acusado de crimes de guerra e lesa-humanidade pelo genocídio de quase oito mil homens muçulmanos na cidade bósnia de Srebrenica em 1995.

Paralelamente à abertura das audiências de defesa de Karadzic, o TPIY começou a julgar nesta terça-feira Goran Hadzic, 54 anos, ex-presidente da república sérvia autoproclamada de Krajina, em 1992-93. Ele também é acusado de crimes de guerra, lesa-humanidade, tortura e de deportações forçadas "da maioria dos croatas e outros não-sérvios" após a declaração de independência da Croácia em 1991.