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Curdos França Paris PKK Terrorismo Turquia

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Três ativistas curdas são mortas com tiros na cabeça em Paris

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Curdos protestam diante do imóvel onde três militantes foram assassinadas nesta quarta-feira AFP PHOTO/Thomas Samson

Três ativistas curdas representantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), em conflito com o governo da Turquia, foram encontradas mortas com tiros na cabeça na madrugada de quarta para quinta-feira na sede da associação em que militavam, em Paris.


O ministro do Interior, Manuel Valls, esteve no local do crime na manhã desta quinta-feira e garantiu que a polícia francesa fará tudo para elucidar o que chamou de "assassinatos insuportáveis". Além da presidente do centro de informação curdo, Fidan Dogan, morreram Sakine Cansiz, uma das fundadoras do partido proibido na Turquia, e a jovem ativista Leyla Soylemez.

Com a notícia das mortes, centenas de curdos residentes na capital foram para o local protestar contra o governo turco, que persegue este partido separatista no Curdistão. Eles gritavam palavras de ordem como "Elas não morreram", "Somos todos PKK" e "Turquia assassina, (François, presidente francês) Hollande cúmplice" e brandiam bandeiras com a imagem do líder rebelde curdo Abdullah Öcalan, preso na ilha-prisão de Imrali, Turquia.

A investigação ficará a cargo da unidade antiterrorista da polícia. "A cena nos leva a crer que trata-se de uma execução", afirmou uma fonte policial, "mas a investigação revelará as circunstâncias exatas deste drama".

Os corpos foram descobertos por amigos das vítimas por volta da 1h da manhã. Eles tentavam contato com elas desde o fim da tarde, sem sucesso. À noite, eles foram até o apartamento do número 147 da rua Lafayette, no norte de Paris, que não tem nenhuma placa ou identificação da presença do centro de informação do Curdistão.

Ao verem vestígios de sangue na entrada, eles arrombaram a porta. Do lado de dentro, encontraram duas das mulheres com tiros na nuca e a terceira com ferimentos a bala no rosto e na barriga.

As informações são da Federação dos Curdos da França, que lançou um apelo a todos os curdos da Europa para que venham a Paris para denunciar o ataque. Só na na França, há mais de 150 mil curdos. Mais de 90%, vindos da Turquia, segundo dados de 2006.

Hüseyin Celik, vice-presidente do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (APK, situação no Curdistão), levantou a suspeita de "acerto de contas" dentro do PKK. "Sabemos que há dissidências e discordâncias dentro do movimento", afirmou, indicando que o processo de diálogo iniciado recentemente entre os serviços secretos turcos e Abdullah Öcalan para o desarmamento dos rebeldes curdos pode ter motivado o crime.

Mais de 45 mil pessoas já morreram desde que o PKK adotou a luta armada, em 1984. Em diversas ocasiões, a justiça francesa investigou a comunidade curda, principalmente no que tange o financiamento do partido separatista, por meio de extorsões e da cabrança de um "imposto revolucionário". Recentemente, o grupo foi retirado da lista de organizações terroristas da União Europeia, embora mantenha o status para os Estados Unidos.