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Milhares de nacionalistas protestam contra imigração na Rússia

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Ultranacionalista é preso por soldado da tropa de choque ao tentar romper barreira policial em Moscou REUTERS/Maxim Shemetov

Milhares de nacionalistas russos foram às ruas de Moscou nesta segunda-feira para participar de uma manifestação anual contra a presença de imigrantes das ex-repúblicas soviéticas. A segurança foi reforçada para a chamada "Marcha Russa" deste ano, já que as tensões cresceram depois que um russo foi assassinado por um azerbaijano.


Cerca de 10 mil pessoas saíram sob a chuva portando as cores da Rússia Imperial (preto, amarelo e branco), principalmente no bairro de Liublino, no sudeste da capital. A polícia delimitava a marcha com barras metálicas dos dois lados das ruas, mas algumas dezenas de manifestantes mascarados correram de encontro à tropa de choque, tentando romper a barreira policial. Mesmo depois de contidos pelos policiais, eles continuaram a gritar slogans neonazistas.

O chefe do movimento "Os Russos", o ultranacionalista Dmitri Demuchkin, estava em Liublino, com um cartaz escrito "Hoje uma mesquita, amanhã a Jihad (guerra santa dos muçulmanos radicais)". Ele pedia medidas governamentais para restringir a entrada na Rússia de imigrantes das ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso e da Ásia Central. De acordo com a polícia, uma outra manifestação, organizada pelo partido liberal democrata (LDPR, de direita) reuniu cerca de mil pessoas na praça Puchkin, no centro de Moscou.

Em outras cidades do país também aconteceram "Marchas Russas". Em São Petesburgo, cerca de 3 mil pessoas foram às ruas, enquanto algumas centenas enfrentaram a neve da Sibéria em Krasnoiarsk para festejar o "Dia da União Popular", estabelecido em 2005 pelo presidente Vladimir Putin, com o objetivo de estabelecer a "identidade nacional russa".

Analistas e críticos do Kremlin, acusam o mandatário (no poder desde 2000) de promover sentimentos nacionalistas na sociedade russa para assegurar sua autoridade. Putin, por sua vez, comemorará o "Dia da União Popular" com uma visita a uma exposção na capital dedicada à dinastia Romanov - que reinou o país entre 1613 e 1917.

Imigração cerceada
Depois do assassinato de um jovem russo por um azerbaijano no sul da capital, o sentimento xenófobo cresceu na Rússia, houve protestos violentos de ultranacionalistas e a polícia lançou uma série de operações para cercear os imigrantes. Mais de mil pessoas foram presas.

Os manifestantes desta segunda-feira reivindicam que o governo passe a exigir vistos para os imigrantes das ex-repúblicas soviéticas, uma ideia que tem a simpatia do prefeito de Moscou, Serguei Sobianin. Seu principal opositor, Alexei Navalny, que perdeu as eleições municipais de setembro para Sobianin, não quis participar da "Marcha Russa". Apesar de ter também posições nacionalistas, ele justificou a ausência em seu blog, dizendo que não queria dar ao Kremlin a oportunidade de descreditá-lo.

Navalny, que tornou-se a principal figura da oposição a Vladimir Putin, declarou que as manifestações desta segunda-feira não deveriam ser vistas como um agrupamento de neonazistas - embora muitos dos participantes façam saudações nazistas -, já que a maioria das pessoas que foram às ruas são "absolutamente normais". No entanto, a "Marcha Russa" terminou com o show em Kolovrat de um grupo de rock muito popular entre skinheads e extremistas, que defende a supremacia da raça branca e promove o nazismo abertamente.