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Rei Juan Carlos da Espanha abdica em favor do príncipe Felipe

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O rei Juan Carlos da Espanha abdicou nesta segunda-feira, 2 de junho de 2014, em favor do príncipe Felipe. REUTERS/Oleg Popov/Files

O rei da Espanha, Juan Carlos, informou na manhã de segunda-feira (2) que vai abdicar do trono em favor do seu filho, o príncipe Felipe. O anúncio da abdicação foi feito pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. O rei de 76 anos deve comunicar sua decisão "pessoalmente" aos espanhóis ainda hoje. Mas a Casa Real da Espanha já deu a notícia em sua conta no Twitter, inclusive com foto do documento em que o rei notifica ao chefe de governo sua abdicação.


Mariano Rajoy convocou um conselho de ministros extraordinário nesta terça-feira para passar a lei orgânica que chancelará o processo. Ele disse esperar que o Congresso espanhol aprove rapidamente a nomeação como rei do príncipe Felipe, de 46 anos. Segundo o jornal El Pais, o monarca estudava há bastante tempo a possibilidade de deixar o trono, devido a seus problemas de saúde.

Paladino da democracia

Soberano da Espanha desde a morte do general Francisco Franco, em 1975, ele teve um papel importante na transição da ditadura para a democracia. Para o premiê Mariano Rajoy, Juan Carlos foi "o maior promotor" da democracia espanhola e "o melhor símbolo de nossa vida conjunta em paz e em liberdade".

De fato, em 23 de fevereiro de 1981, foi o jovem rei que, em uniforme militar, ordenou em um pronunciamento transmitido pela televisão que os militares que ocupavam o Parlamento recuassem para suas casernas. Ao impedir que o tenente-coronel Antonio Tejero, designado sucessor pelo próprio Franco em 1969, renovasse o governo autoritário, ele se tornou uma espécie de paladino da democracia.

Quebra do silêncio

Mas, nos últimos anos, a imagem de um rei velho, imerso em escândalos, preponderou. Juan Carlos foi criticado por investir pesado para caçar elefantes no Botsuana, enquanto a crise da dívida devastava a economia espanhola e causava um nível de desemprego sem precedentes no país. Ele quebrou a bacia na África e teve de pedir desculpas públicas pelo "deslize".

Um certo pacto de silêncio que permitia que o monarca reinasse imune às críticas foi quebrado e um sentimento geral de descrédito nas instituições espalhou-se pelo país.

Escândalos em família

O polêmico casamento do príncipe herdeiro Felipe, em 2004, com Letizia Ortiz, plebeia, jornalista e divorciada, fez a alegria da imprensa espanhola, assim como a separação de sua filha mais velha, Elena, de Jaime de Marichalar, em 2007.

Mas, além das fofocas, apareceu uma história mais grave: a suspeita de que seu genro, Iñaki Urdangarin, casado com a infanta Cristina, teria desviado dinheiro público e feito tráfico de influência em benefício de uma de suas empresas, o Instituto Nóos. A própria infanta, filha de Juan Carlos com a rainha Sofia, foi intimada a depor na Justiça espanhola, mas garantiu desconhecer as atividades ilegais do marido, que detém o título de Duque de Palma.

A sucessão de escândalos, acompanhada de frequentes problemas de saúde, levou o rei a antecipar a passagem do poder para seu filho Felipe.