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Justiça Espanha Corrupção Família Real Infanta Cristina da Espanha Rei da Espanha

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Infanta Cristina escapa de acusação de lavagem de dinheiro

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A infanta Cristina e seu esposo Inaki Urdangarin. REUTERS/Albert Gea/Files

A justiça espanhola abrandou nesta sexta-feira (7) as acusações contra a infanta Cristina, irmã do rei Felipe 6° da Espanha. Ela não será mais levada a julgamento por lavagem de dinheiro no escândalo de desvio de recursos públicos envolvendo seu marido, Iñaki Urdangarin. Três juízes do Tribunal de Palma de Maiorca decidiram, no entanto, manter a acusação de fraude fiscal contra a princesa.


A família real espanhola deve estar aliviada com a decisão do tribunal de Maiorca de abandonar a acusação mais grave contra a infanta Cristina. Agora, o juiz de instrução do caso, José Castro, deverá se pronunciar nas próximas semanas se vai levá-la a julgamento por fraude fiscal, o que seria um fato inédito na história da monarquia espanhola. Por outro lado, os juízes confirmaram o indiciamento do marido de Cristina, Urdangarin, por desvio de dinheiro público, evasão fiscal, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Superfaturamento

Urdangarin, ex-campeão olímpico de handebol, é acusado de ter desviado € 6,1 milhões de fundos públicos, entre 2003 e 2006, de contratos assinados pelo Instituto Noos, uma fundação sem fins lucrativos que ele criou com um sócio. A justiça espanhola suspeita que ele aproveitava a posição que tinha na família real para obter contratos públicos nas regiões de Maiorca e Valença. Segundo o juiz, os contratos eram superfaturados e parte dos recursos era desviada para a empresa de fachada Aizoon, mantida em partes iguais por Urdangarin e a infanta Cristina.

Na opinião do juiz José Castro, a infanta colaborou "ativamente" com o marido no esquema. O juiz anexou ao processo notas fiscais de reformas realizadas na mansão do casal em Barcelona, de cursos de dança e de espetáculos de teatro que teriam sido pagos pela Aizoon, matriculada na junta comercial como uma empresa de consultoria e gestão. Para o juiz, Urdangarin não pode ter agido sozinho, sem o consentimento da esposa.

Em depoimento à justiça, Cristina disse que desconhecia as atividades financeiras do marido. Ela falou que esteve ocupada com a educação dos quatro filhos do casal e não dava atenção aos negócios do esposo. Os dois advogados de defesa também alegam a inocência da princesa. "O inquérito não apresenta elementos para seu indiciamento", declarou o advogado Miquel Roca, hoje, na saída do tribunal.

Vida luxuosa

O escândalo, que estourou no final de 2011, contribuiu para a abdicação do rei Juan Carlos em favor do filho Felipe. Indignados com as denúncias da vida luxuosa de Cristina e Urdangarin, em meio à grave crise econômica na Espanha, milhares de espanhóis foram às ruas pedir o fim da monarquia.

Cristina, que trabalha em uma fundação de caridade ligada a um banco, foi mutada para Genebra, na Suíça. A mansão do casal em Barcelona, estimada em € 6 milhões, foi requisitada temporariamente pela justiça.