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Itália Concordia Costa Allegra

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Comandante do Concordia participa de audiência na Itália

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Operação para rebocar o navio Costa Concordia REUTERS/ Alessandro Bianchi

O ex-capitão Francesco Schettino, acusado do naufrágio do Costa Concordia, deu um depoimento detalhado nesta terça-feira (2) na audiência sobre o acidente. Esta foi a primeira vez desde o início do processo, em julho de 2013 em Grosseto, na Toscana, que ele respondeu às perguntas do promotor Alessandro Leopizzi.


O comandante é acusado de ter abandonado o navio durante o naufrágio, em janeiro de 2012, que deixou 32 mortos. Cerca de 4200 pessoas estavam a bordo. Durante o depoimento, ele negou que tenha sido negligente, fazendo uma reconstituição minuciosa dos momentos que precederam o drama.

Schettino reconheceu, entretanto, que o naufrágio foi provocado pela decisão de se aproximar da ilha de Giglio, na costa da Toscana. Segundo ele, o objetivo era "agradar" os membros da tripulação da Costa Cruzeiros, dona do Concórdia, e não impressionar uma bailarina com quem ele tinha um caso.

De acordo com sua versão, ele deixou o restaurante do navio às 21h30 e teria pensado em deixar o comando do navio para seu assistente. Mas, chegando à cabine, ele pediu que o piloto automático fosse desativado. Pelo telefone, ele pergunta a um outro comandante da ilha "se tem água" a menos de 0,3 milhas da costa, para avaliar a profundidade.

Para a Justiça, essa é a prova que ele queria se aproximar da ilha de qualquer maneira, já que a rota definida estabelece um limite mínimo de 0,5 milhas. "Eu disse isso por nada, só para iniciar a conversa", justificou Schettino, dizendo ter olhado "rapidamente para radar." No depoimento, ele afirmou "ter certeza" de que o navio estava na rota correta, traçada e decidida por toda a tripulação, que, segundo ele, não interrompeu sua manobra.

Quatro minutos de atraso

Ele também reconheceu que tinha quatro minutos de atraso para executar a manobra que evitaria o choque com o rochedo, mas, no momento, não percebeu o problema e que acreditava estar seguindo a rota planejada. Ao perceber que o navio iria de fato bater, o comandante decidiu fazer uma manobra de última hora, "mas já era tarde demais."