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Papa Francisco pede que líderes muçulmanos condenem o fundamentalismo

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O Papa Francisco inicia sua viajem à Ásia nesta segunda-feira REUTERS/Osservatore Romano

O papa Francisco, que na tarde desta segunda-feira (12) embarca para uma viagem ao Sri Lanka e às Filipinas, condenou nesta manhã os atentados da semana passada em Paris, que provocaram 17 mortes. Ele fez um apelo aos líderes muçulmanos do mundo inteiro para condenar as interpretações do Islã feitas pelos fundamentalistas para justificar a violência em nome de Deus.


"O fundamentalista religioso, mais que rejeitar os seres humanos, cometendo massacres horríveis, rejeita o próprio Deus, relegando-o ao papel de puro pretexto ideológico", disse o chefe da Igreja Católica. Ele fez essa afirmação na reunião anual com os diplomatas no Vaticano, durante a qual ele se pronuncia tradicionalmente sobre o "estado do mundo".

Francisco acrescentou que os atentados cometidos pelos irmãos Kouachi e por Amedy Coulibaly, em Paris, demonstram que a rejeição da crença dos outros pode "desfazer e desagregar toda a sociedade e gerar violência e morte". "Eu desejo que os responsáveis religiosos, políticos e intelectuais, em particular muçulmanos, condenem toda interpretação fundamentalista e extremista da religião que tenha como objetivo justificar esses atos de violência", afirmou.

Em várias ocasiões ao longo dos últimos meses, Francisco condenou veementemente os atos de violência cometidos pelos combatentes do grupo Estado Islâmico, que massacraram ou provocaram a fuga dos muçulmanos xiitas e dos cristãos na Síria e no Iraque.

Viagem à Àsia

O papa embarca às 15h no aeroporto romano de Fiumicino, em um avião da Alitalia, com destino a Colombo, no Sri Lanka, com chegada prevista para as 12h30 da terça-feira (13). No aeroporto, ele será recebido pelo recém-eleito presidente Maithripala Sirisena, que venceu as eleições de 8 de dezembro. O pontífice se reunirá com representantes de diferentes religiões para defender o papel do diálogo interreligioso como meio para conseguir a paz. O Sri Lanka tem 20 milhões de habitantes, dos quais 6,1 % são cristãos, 8,5 %, muçulmanos, e 7,9 %, hindu. A grande maioria (76,7 %) é budista.

Na quarta-feira (14), ele celebrará a missa de canonização do primeiro santo local, José Vaz, un sacerdote nascido na Índia que chegou como missionário ao país, na época da brutal perseguição aos católicos no século XVII. No sábado, Francisco vai a Tacloban, nas Filipinas, cidade que foi destruída pelo tufão Yolanda em novembro de 2013. Na capital, Manila, ele participará de um encontro com jovens atletas e realizará uma missa no parque Rizal. Após uma semana, ele voltará a Roma no dia 19 de janeiro.