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União Europeia deve resistir ao populismo na crise dos migrantes, diz Juncker

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O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker AFP PHOTO / JOHN THYS

A União Europeia deve resistir ao "populismo" na crise dos migrantes, declarou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em uma entrevista nesta quarta-feira (5) à agência France Presse. "Há momentos na política nos quais não se deve seguir com os populistas", disse Juncker, que recordou que os governos têm a "obrigação de atuar" para resolver a situação das dezenas de milhares de refugiados que chegam à Itália e Grécia.


O presidente afirmou que está "decepcionado" com as dificuldades para obter solidariedade entre os Estados no tema da migração. Em julho, os europeus chegaram a um acordo para abrigar 22.504 refugiados sírios. Mas os ministros do Interior não conseguiram entrar em consenso sobre a distribuição entre os países europeus dos 40 mil solicitantes de asilo político que entraram na Itália e Grécia, países com capacidade de recepção saturada.

Propostas recusadas

"Fizemos propostas que, apesar de modestas, vão longe, dada a magnitude do problema. Apresentamos propostas de um sistema obrigatório de divisão dos solicitantes de asilo e das pessoas que merecem uma proteção internacional, mas os Estados membros não aceitaram e nos obrigaram a buscar um acordo baseado no voluntariado", disse.

E continuou: "Não alcançamos o objetivo, mas no outono (primavera no Brasil) vamos retomar o esforço para chegar ao número de 60 mil. Se conseguirmos com uma base voluntária, ainda melhor. Se não for possível, teremos que reconsiderar a proposta da Comissão".

Situação em Calais

Juncker também expressou preocupação com a situação em Calais, norte da França, onde milhares de migrantes tentam entrar no Eurotúnel para chegar ao Reino Unido. "A Comissão está disposta a fornecer uma ajuda ao governo francês primeiro e ao britânico depois, mas até o momento não recebemos nenhum pedido em particular", disse.

"Conservamos os créditos orçamentários que podem ser destinados, não tanto como uma solução do problema, mas sim para aliviar o peso da carga", explicou. Na terça-feira, o comissário europeu para a Migração, Dimitris Avramopoulos, recordou que França e Grã-Bretanha podem dispor, respectivamente, de € 266 milhões e € 370 milhões de euros como parte do Fundo Europeu para o Asilo e a Migração.