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Aeroporto Grécia Privatização Austeridade

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Grécia aprova privatização de 14 aeroportos

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À venda: privatização dos aeroportos é a primeira dose do amargo remédio de austeridade exigido pelos credores Reuters

O governo grego aprovou de surpresa nesta terça-feira (18) seu primeiro grande plano de privatização, que prevê a concessão de vários aeroportos regionais para o consórcio alemão Fraport-Slentel, em um negócio que totaliza € 1,23 bilhão. A decisão, que cede por 40 anos alguns dos mais importantes aeroportos regionais do país, foi muito mal recebida pelos sindicatos e pela esquerda do Syriza, o partido no poder.


Entre os aeroportos afetados por esse negócio, que inclui uma opção de leasing a um montante anual de € 22,9 milhões, estão Tessalônica, Hania, Creta, e outras ilhas, como Mykonos, Corfu, Rhodes and Santorini. O acordo havia sido aprovado pelo governo anterior, mas foi congelado pelo próprio Syriza do premiê Alexis Tsipras, quando a sigla chegou ao poder, em janeiro.

O governo resistiu como pôde diante da linha dura dos credores e dos "parceiros" da União Europeia e, durante meses de negociação, conseguiu manter-se fiel a sua proposta anti-austeridade. Mas, depois de um referendo em que a população rejeitou novas medidas de rigor, a Europa capitaneada pela Alemanha apertou o cerco e forçou a Grécia a se render e engolir um plano de austeridade duríssimo.

Depois de uma pesada querela parlamentar que causou uma debandada na base de apoio do governo, Tsipras conseguiu validar o plano para a liberação do terceiro resgate ao país, no valor de € 86 bilhões, graças aos votos da oposição. Na sexta-feira passada, os ministros das Finanças da zona do euro aprovaram o plano.

As privatizações eram condicionantes da ajuda e, por isso, os credores exigiram a criação de um fundo de privatizações - principalmente de portos, aeroportos e ferrovias - no valor de € 50 bilhões, a ser administrado por Atenas sob supervisão das instituições internacionais.

Venda do patrimônio grego

Agora, começa o que a esquerda do Syriza mais temia: a venda do patrimônio grego. Nesta terça-feira, foi publicado um decreto no Diário Oficial, indicando que o governo aprova a decisão da agência de privatização Taiped de passar os aeroportos à Fraport. Mas os acordos ainda têm de ser assinados e, de acordo com a companhia, ainda há negociações em curso. A Fraport não espera que o negócio seja finalizado neste ano.

Em novembro de 2014, a Fraport havia emitido um comunicado, afirmando que havia ganhado a "oferta de privatização" para os aeroportos, que incluía ainda Cephalonia, Zakynthos, Aktion, Kavala, Kos, Samos, Lesbos e Skiathos. A companhia deveria injetar € 330 milhões durante os primeiros quatro anos, além de € 1,4 bilhão durante os 40 anos do leasing.

Graças ao turismo, os aeroportos regionais gregos representam uma operação muito lucrativa. De acordo com a associação das empresas turísticas gregas, em 2014, Rhodes sozinha contabilizou mais de 1,9 milhão de aterrissagens, seguida por Tessalônica, com 1,5 milhão e Corfu, com 1 milhão. A contrapartida é que parte das instalações tem décadas de idade e precisa de reformas.

Revolta

O fato de os aeroportos estarem desatualizados não passou nem perto de aplacar a ira dos sindicatos. A Osypa, que representa os funcionários das companhias aéreas, prometeu contestar o negócio no organismo europeu de competitividade, alegando que ele coloca a totalidade da operação sob controle alemão.

A organização alega ainda que o Estado grego lucra € 450 milhões anuais dos aeroportos e que os € 330 milhões que a Fraport promete investir mal ultrapassam o custo anual de manutenção de € 5,8 milhões por aeroporto.

Membros do Syriza também expressaram seu descontentamento, como o governador das ilhas Ionian, Theodoros Galiatsatos, que terá quatro aeroportos de sua jurisdição privatizados. Ele classificou o acordo como "um desenvolvimento excepcionalmente negativo", que "contraria os interesses locais e regionais". Galiatsatos prometeu convocar um referendo para tentar bloquear a decisão na Justiça.