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Turquia PKK Exército Curdos

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Confrontos entre o PKK e o exército chegam às ruas da Turquia

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Confrontos nas ruas da Turquia REUTERS/Bedran Babat

Os violentos ataques dos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) contra o exército turco provocaram nesta quarta-feira (9) a revolta dos nacionalistas e dos simpatizantes do governo, que intensificaram as ações contra o principal partido pró-curdo no país. Pela segunda noite consecutiva, milhares de manifestantes nacionalistas atacaram vários escritórios - incluindo a sede em Ancara - do Partido Democrata dos Povos (HDP), acusado pelo governo do presidente Recep Tayyip Erdogan de apoiar o movimento rebelde.


"Estas campanhas de ataques estão dirigidas por uma só mão, a do Estado", afirmou o co-presidente do HDP, Selahattin Demirtas. A formação pró-curda também advertiu nesta quarta-feira que havia riscos de uma "guerra civil" no país."Um líder do partido fala de guerra civil. É uma insensatez", declarou Erdogan, que pediu aos dirigentes do HDP para "escolher entre a democracia e o terrorismo". "Se optarem pelo terrorismo, sofrerão as consequências", ressaltou o presidente turco durante uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Ancara.

Tusk também disse estar preocupado com a violência e pediu ao Estado turco que retome as negociações com o PKK. Quase 7.000 pessoas saíram às ruas de Ancara na terça-feira (8) à noite para denunciar o "terrorismo" dos rebeldes do PKK. A polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que bloqueavam uma rua.

Pedido de calma

Várias pessoas atacaram os escritórios do HDP no bairro de Kavaklidere e incendiaram parte das instalações. Demirtas citou mais de 400 ataques contra o movimento. Na terça-feira, simpatizantes do governo insatisfeitos com as críticas do jornal Hürriyet ao presidente Recep Tayyip Erdogan atacaram sua sede em Istambul.

O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu lamentou os distúrbios e pediu calma. "Atacar a imprensa e as propriedades de partidos políticos é inaceitável", escreveu no Twitter. "Faço um apelo ao senso comum dos cidadãos", afirmou o líder da oposição social-democrata no Parlamento, Kemal Kiliçdaroglu.

Desde o fim de julho, o governo turco determinou uma série de bombardeios aéreos contra as bases dos rebeldes curdos na região norte do Iraque, em represália aos ataques rebeldes contra as forças de segurança. De acordo com a imprensa ligada ao governo, os confrontos provocaram a morte de mais de 100 soldados e policiais e de mil rebeldes.

A escalada interrompeu as negociações de paz iniciadas em 2012 para tentar acabar com o conflito entre o Estado turco e os rebeldes curdos, que provocou 40 mil mortes desde 1984. O sudeste da Turquia, de maioria curda, se encontra em estado de guerra. Quase 20% dos 76 milhões de turcos são de origem curda e vivem essencialmente nesta região do país.

Emboscadas

Emboscadas executadas no domingo e na terça-feira mataram 30 soldados e policiais turcos. Em represália, caças F-16 e F-4 da aviação turca bombardearam as bases de retaguarda do PKK nas montanhas do norte do Iraque.

As forças especiais turcas entraram no território iraquiano, pela primeira vez em quatro anos, para perseguir combatentes do PKK.A escalada de violência preocupa a menos de dois meses das eleições legislativas antecipadas convocadas por Erdogan para 1º de novembro.

Nas eleições de 7 de junho, o AKP perdeu a maioria absoluta que teve no Parlamento nos últimos 12 anos. Erdogan espera que o partido recupere a situação anterior para instaurar um regime presidencialista forte. Demirtas e outros líderes da oposição acusam Erdogan de estimular o conflito curdo para facilitar a concretização de suas ambições políticas.