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Hungria Crise migratória Sérvia Croácia

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Países do leste europeu fazem jogo de empurra com imigrantes

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O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán é alvo de críticas. REUTERS/Eric Vidal

A tensão cresce no leste da Europa sobre a crise migratória. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, se encontrou nesta sexta-feira (25) em Viena com o chefe de governo austríaco, Werner Faymann, para discutir o controle das fronteiras. Os dois líderes haviam se acusado mutuamente na quarta-feira durante uma reunião em Bruxelas sobre os refugiados.


Budapeste está encaminhando diretamente à fronteira austríaca os migrantes que chegam em seu território pela Croácia, que se diz saturada. A Hungria, que adota uma linha dura sobre os refugiados, começou ontem a erguer uma barreira de arame farpado em sua fronteira com a Eslovênia, país que também pertence ao espaço Schengen. Na saída da reunião com Faymann, o líder húngaro disse que pretende construir outra cerca de contenção, esta na divisa com a Croácia.

O país já havia criado barreiras na fronteira com a Croácia, por onde transitam agora muitos candidatos a asilo, e decidiu antecipar um eventual desvio dos migrantes pela vizinha Eslovênia. O primeiro-ministro húngaro autorizou o exército a reprimir migrantes que tentarem entrar ilegamente no país.

A Croácia diz estar saturada com a chegada desde a semana passada de 50 mil pessoas vindas da Sérvia. Os dois países decidiram reforçar o bloqueio da fronteira comum. Zagreb pressiona o governo de Belgrado para direcionar o fluxo de migrantes para a Hungria ou a Romênia. A Sérvia denuncia uma agressão por parte da Croácia. O Presidente do Conselho Europeu, DonaldTusk, declarou que está na hora de pôr um fim no caos das fronteiras europeias.

Caos nas fronteiras

Nesta sexta-feira, a Comissão Europeia pediu à Croácia uma explicação urgente sobre o bloqueio de sua fronteira com a Sérvia, alegado que, como resultado, os caminhões ficam presos na fronteira, criando sérios problemas no âmbito comercial. O primeiro-ministro croata Zoran Milanovic anunciou pouco depois que a Croácia vai suspender o bloqueio na fronteira ainda nesta sexta ou no sábado.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, falou nesta sexta com os chefes de governo sérvio e croata para pedir a eles que tratem do tema de maneira construtiva.

Repercussão

“A Hungria é uma vergonha para a Europa”, escreve o jornal francês Libération de hoje ao criticar violentamente a decisão do governo de autorizar a repressão violenta contra os refugiados que tentam entrar no país. Para o diário, o primeiro-ministro Viktor Orbán passa por cima e ridiculariza os valores europeus, por isso deve ser banido do bloco.

No parlamento de Budapeste, as declarações de Orban de que a Hungria e a Europa estão em perigo e que ele pretende evitar em seu país a coexistência do Islamismo, de religiões orientais e do cristianismo, preocupam as autoridades europeias. Diante de tal radicalização, a permanência da Hungria na União Europeia começa a ser questionada, afirma Libération.