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União Europeia Crise migratória Bálcãs

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UE anuncia criação de 100 mil vagas para refugiados na Grécia e nos Bálcãs

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Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, durante conferência sobre a crise dos Bálcans em Bruxelas REUTERS/Francois Lenoir

Depois de uma mini-cúpula entre líderes da Europa ocidental e dos país dos Bálcãs em Bruxelas neste domingo (25), a União Europeia anunciou a criação de 100 mil vagas para acolher refugiados na Grécia e nos Bálcãs. Com ajuda do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, o Acnur, Atenas deve criar 30 mil vagas até o fim do ano. Em uma segunta etapa, outras 20 mil devem ser distribuídas entre famílias e casas alugadas com subvenção do Acnur. As outras vagas serão criadas ao longo da rota dos Bálcãs, também em coordenação com a ONU.


A inciativa, anunciada como um ato de solidariedade, é acompanhada de 17 medidas que visam restabelecer a ordem nas fronteiras e frear o fluxo incontrolável de pessoas. Entre elas, está o compromisso de desencorajar os migrantes a cruzar fronteiras e uma melhor troca de informações entre os governos sobre a movimentação dos migrantes.

Faz parte também do plano o envio de 400 policiais para ajudar a Eslovênia, sobrecarregada depois que a Hungria fechou sua fronteira com a Croácia, que, no sábado, bateu novo recorde para um só dia com a chegada de 11,5 mil migrantes. A exemplo de Budapeste, a Eslovênia também cogita levantar um muro em sua fronteira croata.

Coordenação

Esse tipo de iniciativa unilateral pode causar uma reação em cadeia, que ameaça a própria integridade europeia. Segundo o ministro das Migrações de Luxemburgo, Jean Asselborn, é preciso considerar soluções que envolvam todo o bloco. "Não é possível levar somente em consideração a perspectiva dos países dos Bálcãs", declarou.

Para o chanceler austríaco Werner Faymann, se a Europa não conseguir estabelecer um plano conjunto para enfrentar a crise migratória, os "nacionalistas de direita", contrários a União político-monetária, dirão que o próprio bloco falhou.

Na chegada ao encontro, a chanceler alemã Angela Merkel disse que a crise dos migrantes não será resolvida sem a ajuda da Turquia. "Somente com a Turquia poderemos transformar a ilegalidade em legalidade", declarou.

Naufrágio no mar Egeu

No mesmo dia da minicúpula, a guarda costeira grega informou que pelo menos três migrantes, uma mulher e duas crianças, morreram de madrugada quando o barco em que faziam o trajeto entre a Turquia e a Grécia naufragou na costa leste da ilha de Lesbos. Outras 15 pessoas que viajavam na embarcação estão desaparecidas.

Várias pessoas, a maioria afegãos que não sabiam nadar e usavam coletes salva-vidas, foram retiradas da água. O salvamento foi feito por um patrulheiro e um helicóptero da Frontex, a agência europeia de vigilância de fronteiras. Ontem, uma operação foi realizada para tentar localizar um menino afegão de dois anos que caiu na água entre a costa turca e Lesbos, mas as buscas não tiveram resultado.

A guarda costeira grega e as autoridades locais temem que, com o início do inverno, os naufrágios se multipliquem. De acordo com o depoimento de vários migrantes, os traficantes de pessoas abaixam os preços quando o tempo piora para conseguir mais passageiros.

(Com informações da AFP)