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Podemos perde fôlego às vésperas das eleições na Espanha

A Espanha irá às urnas no domingo (20) para eleger o próximo chefe de governo do país. As eleições gerais acontecem em meio a um conturbado cenário político, marcado por denúncias de corrupção ao partido do governo, o surgimento de novas e já poderosas siglas, mas também um momento econômico mais estável. Esta última semana de campanha será decisiva. O Podemos perde fôlego e, segundo as pesquisas, nenhum partido teria maioria e alianças serão necessárias.

Luisa Belchior, correspondente da RFI em Madri

A pesquisa de opinião mais recente, divulgada na segunda-feira (14) pelo jornal “El Mundo”, indica uma vitória do PP, o Partido Popular, a sigla conservadora do chefe de governo Mariano Rajoy, atualmente no poder. Logo atrás, viria o PSOE, o Partido Socialista, que desde a reabertura democrática na Espanha, na década de 1980, reveza o governo do país com os conservadores.

Mas dois partidos novos e pequenos, o Podemos, situado na extrema-esquerda, e o Ciudadanos, identificado como de centro direita, aparecem logo atrás. Além disso, cerca de 40% dos eleitores entrevistados se mostram ainda indecisos.

Fim do bipartidarismo na Espanha?

A ascensão do Podemos e do Ciudadanos que poderia indicar o fim do bipartidarismo na Espanha foi uma das grandes tônicas desta campanha eleitoral e de todo este ano no cenário político. O Podemos, liderado por Pablo Iglesias, surgiu no ano passado a partir do movimento dos indignados, que tomou as praças da Espanha em 2011 e serviu de inspiração para a Primavera Árabe. Com menos de um ano de existência, a sigla foi a mais votada nas eleições para o Parlamento Europeu e liderou por muito tempo as intenções de voto para as eleições gerais. Ao longo deste ano, porém, o Podemos perdeu fôlego e credibilidade, diante de denúncias de colaborar com o governo da Venezuela.

Por outro lado, ganhou terreno o Ciudadanos, um partido surgido na Catalunha com a bandeira da juventude, da luta contra a corrupção e contra o separatismo catalão, mas com propostas mais conservadoras. Seu líder, Albert Rivera, o mais novo entre os candidatos, com 35 anos, é hoje também o mais bem valorizado pelos eleitores. Ele aparece como peça fundamental tanto para o PP quanto para o PSOE, já que nenhum dos dois deve alcançar a maioria para governar e precisará de alianças.

Diferenças entre os novos e os antigos partidos

Embora se situem em ideologias bem distintas, os novos partidos questionam muito a corrupção que denunciam estar presente tanto no PP quanto no PSOE. Além disso, eles inauguraram uma nova era na política espanhola, muito mais próxima e conectada com os candidatos.

O Podemos, por exemplo, elaborou suas propostas a partir de sugestões de cidadãos feitas em seu site e em assembleias em várias cidades do país. Há cerca de um mês, Albert Rivera, do Ciudadanos, e Pablo Iglesias, aceitaram participar de um debate em uma rede de televisão totalmente inovador: em vez de um estúdio, sentaram-se à mesa de um bar na periferia de Barcelona e discutiram, sem normas nem tempo, suas propostas.

Já o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, e o líder do PSOE, Pedro Sánchez, participaram na noite de ontem (14) de um debate transmitido pelas principais redes de televisão, mas muito criticado por analistas e nas redes sociais por ser estático, longo e sem propostas específicas.

Economia da Espanha no debate político

Foi claramente perceptível que a economia, ao menos no plano macro, já não domina os debates, embora continue sendo assunto de primeira ordem. Nesta campanha, os partidos discutem os caminhos a serem tomados, já que o Produto Interno Bruto espanhol deve crescer em torno dos 3% em 2015, segundo previsão da Comissão Europeia.

Mas os socialistas acusam o governo de continuar aumentando os impostos e defendem a redução das taxas. Mariano Rajoy também promete baixar impostos, assim como os partidos minoritários, que centram suas atenções na criação de emprego para jovens. Isso porque, apesar do melhor no cenário econômico, a taxa de desemprego na Espanha continua na casa dos 24%, uma das mais altas da Europa.

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