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Áustria Bálcãs Crise migratória

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Para Áustria, frear fluxo migratório é uma questão de sobrevivência da Europa

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O chefe da diplomacia austríaca, Sebastian Kurz (e) e a ministra do Interior da Áustria, Johanna Mikl-Leitner, pedem a redução imediata do fluxo migratório na UE. REUTERS/Leonhard Foeger

A Áustria e os países dos Bálcãs insistiram na ofensiva para frear a fluxo migratório na região. Para eles, essa é uma “questão de sobrevivência” para a União Europeia (UE). As declarações foram feitas durante um encontro em Viena nesta quarta-feira (24).


Os dez países reunidos em Viena (Albânia, Áustria, Bósnia, Bulgária, Croácia, Eslovênia, Kosovo, Macedônia, Montenegro e Sérvia) afirmaram que o número de entradas de migrantes deve ser fortemente diminuído. “Nós devemos reduzir o fluxo migratório agora”, martelou a ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, que já havia instaurado, na sexta-feira (19), um sistema de cotas de entradas diárias em suas fronteiras.

A partir da adoção dessa medida por Viena, os demais países da região começaram a endurecer as regras para entrada em seus territórios, forçando os migrantes a ficarem na Grécia, onde mais de 12 mil pessoas estão bloqueadas. Desde então, as candidatos à imigração viajando sem documentos ou apresentando declarações falsas estão sendo sistematicamente barrados.

Esses novos critérios de admissão foram colocados em um acordo que os dez países apresentam aos ministros europeus do Interior nesta quinta-feira (25). “Queremos pressionar a UE para que uma solução comum seja adotada”, resumiu a representante de Viena.

Áustria contesta política migratória da Alemanha

As declarações da ministra austríaca visam principalmente a vizinha Alemanha, já que Berlim adotou uma política de abertura aos refugiados cada vez mais contestada pela Áustria. “Esperamos que os alemães digam se continuam dispostos a receber refugiados e quantas pessoas pretendem acolher”, insistiu o chefe da diplomacia austríaca, Sebastian Kurz, em entrevista ao jornal alemão Bild.

Viena limitou a 37.500 o número de requerentes de asilo que deseja receber por ano. Já a Hungria, dirigida pelo primeiro-ministro populista Viktor Orban, anunciou que pretende organizar um referendo em breve sobre o assunto.

Com a conferência regional desta quarta-feira, o governo austríaco suscitou fortes críticas de Atenas e Berlim, que acusam Viena de falta de solidariedade com os vizinhos do bloco. Bruxelas também declarou que teme o início de uma crise humanitária na região, principalmente na Grécia.