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Brasileiro de 19 anos estreia em papel principal no balé Bolshoi

Por RFI

Com apenas 19 anos, o bailarino brasileiro David Motta está prestes a fazer história no palco mais tradicional do mundo, o Teatro Bolshoi, de Moscou. No próximo domingo (19), David dança o papel principal do clássico balé "Giselle".
 

Sandro Fernandes, correspondente em Moscou

David é o primeiro estrangeiro a ter um papel principal no Teatro Bolshoi. É também o primeiro novato a dançar um papel tão importante nessa instituição mundial da dança. Na companhia há apenas nove meses, o convite para dançar Albrecht, o papel principal masculino de "Giselle", pegou David de surpresa.

“Geralmente, três semanas antes ou um mês antes do espetáculo programado, sai a lista dos escalados para o espetáculo", explica o bailarino. “Esse convite foi muito inesperado. Meu professor e eu estávamos preparando outra parte, outro papel, um papel mais abaixo do bailarino principal. Tínhamos conversado sobre Albrecht, de "Giselle", e a gente tinha comentado que ainda era muito cedo, que ainda tem muito trabalho a fazer e que precisaríamos de mais tempo para trabalhar em cima desse papel".

Porém, o diretor artístico do Bolshoi, Makhar Vaziev, surpreendeu o brasileiro. "Ele perguntou como estavam indo os ensaios. Disse que tinha uma ideia muito louca (de dançar Albrecht), que teria um balé 'Giselle' e haveria uma vaga. Meu professor, óbvio, não recusou, disse que sim, que a gente ia trabalhar." Depois, Vaziev assistiu ao ensaio para ver se o bailarino brasileiro estava realmente apto a fazer o papel. E gostou do que viu, decidindo apostar em David.

Rotina de ensaios puxada em Moscou

A rotina do jovem bailarino é puxada, com aulas pela manhã, ensaios à tarde e espetáculos à noite. Entre o convite para o papel em "Giselle" e a apresentação, David teve apenas quatro semanas de preparação. “É muito pouco tempo para se preparar um balé tão importante e tão difícil, por causa do caráter do Albrecht, tecnicamente falando”, explica.

Para a apresentação de "Giselle", David promete uma interpretação que mostre o seu próprio caráter, a partir da vivência de um jovem. “Vou tentar mostrar o Albrecht que existe em mim, na minha idade. Albrecht é um personagem adulto e passa por momentos e emoções que uma pessoa de 19 anos, como eu, provavelmente ainda não viveu. É um pouco difícil tentar mostrar e passar ao público algo que você ainda não sabe, que você ainda não sentiu. Eu vou tentar passar o Albrecht que tenho agora, que eu sinto agora. Não vou tentar passar ou mostrar algo que ainda não existe".

Do Rio para o estrelato internacional por acaso

David entrou no balé por acaso. Aos 10 anos, enquanto acompanhava a aula de uma prima em Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, uma das professoras perguntou se ele não queria dançar com o grupo. Ele aceitou. Aos 13 anos, um “olheiro” do Bolshoi viu um vídeo de David e ele foi convidado para um curso de verão do teatro russo nos Estados Unidos. Ele fez o curso e quando as aulas terminaram, ele foi chamado para estudar na Escola de Teatro do Bolshoi em Moscou. Foram cinco anos de estudos na capital russa. Em setembro do ano passado, David se formou na Escola Bolshoi e foi diretamente contratado pelo Teatro Bolshoi.

Apesar de ser tão jovem e estar há tanto tempo fora de casa, David se diz muito ligado ainda ao Brasil, por causa da família e a cultura brasileira. Antes da entrevista à RFI, depois de um ensaio, o bailarino escutava e dançava um funk carioca. "A minha conexão com o Brasil continua a mesma. Eu sinto muita falta do Brasil, da companhia da minha família e de amigos. Eu vou ao Brasil o máximo que eu posso. Todo o tempo livre, todas as férias que eu tenho, eu fujo para o Brasil. É sempre bom estar em casa, rodeado de amigos. Faço comida brasileira, o possível que eu consigo fazer, com os ingredientes que eu consigo encontrar aqui em Moscou."

Entre a inocência adolescente e a maturidade adulta, David entende a sua importância para a dança do Brasil. "É uma força muito grande que a gente está levando, está dando à dança brasileira, ainda mais representando o Brasil aqui dentro do Teatro Bolshoi, na Rússia, porque é um teatro super difícil de dar oportunidade a estrangeiros.”

Talentoso, David diz que não se abala com as críticas nem com a inveja. “Acho que em qualquer profissão, sempre tem aquela pessoa que não quer que você consiga, não quer que você alcance. Mas sempre há pessoas que vão estar do seu lado”, conclui o artista.

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