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Terremoto Itália Vítimas

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Itália realiza primeira homenagem oficial às vítimas do terremoto

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Mulher aguarda a cerimônia de funeral coletivo para as vítimas do terremoto na Itália neste sábado, 27 de agosto de 2016. REUTERS/Adamo Di Loreto

Com cerimônia solene marcada pela dor e dezenas de caixões, a Itália prestou homenagem neste sábado (27) às vítimas do terremoto que devastou três vilarejos de montanha no centro do país, causando a morte de quase 300 pessoas.


A cerimônia foi celebrada na cidade de Ascoli Piceno e contou com a presença do presidente da república, Serio Mattarela, e do primeiro-ministro, Matteo Renzi, assim como de familiares e amigos das vítimas de Arquata del Tronto, uma das aldeias devastadas pelo terremoto de quarta-feira.

O evento, o primeiro ato oficial pelas vítimas, aconteceu no estádio esportivo de Ascoli Piceno, uma cidade não muito distante do local da tragédia, que foi transformado em capela. Trinta e cinco caixões, colocados sobre um tapete azul, estavam cobertos com coroas de flores com lírios brancos e rosas.

Entre eles, destacava-se um branco, o de Giulia, uma menina de 9 anos cujo corpo protegeu o de sua irmã, Giorgia, de 5 anos, uma das últimas pessoas encontradas com vida sob os escombros em Pescara del Tronto.

"Nossos sinos voltarão a repicar", declarou o bispo Giovanni D'Ercole durante a missa fúnebre, da qual participaram centenas de pessoas. "Não temam gritar pela dor, mas tampouco percam a esperança. Reconstruiremos juntos nossas casas, nossas igrejas", declarou.

Comovido, o primeiro-ministro Matteo Renzi e a mulher evitaram dar declarações e se limitaram a abraçar os familiares das vítimas no final da cerimônia. Fora do estádio, em um silêncio sepulcral, a cerimônia foi transmitida em telões, enquanto parentes das vítimas sentados junto aos caixões se abraçavam e choravam. Algumas famílias italianas decidiram, no entanto, não participar da missa e enterraram seus mortos em cerimônias privadas.

As equipes de resgate continuavam retirando corpos dos escombros e o último boletim oficial menciona 291 vítimas da tragédia na Itália.

O país decretou dia de luto nacional, quando as bandeiras foram hasteadas a meio-mastro. A rádio e televisão pública RAI suspendeu os anúncios de publicidade em todos seus programas, como sinal de luto.

O trabalho de buscas continua nas regiões afetadas

Poucas horas antes da cerimônia, o presidente Mattarela visitou a pequena aldeia de Amatrice, emblema da devastação, de cujos escombros foram retirados 230 mortos. As equipes de resgate trabalharam a noite toda e conseguiram retirar três novos corpos sob os acúmulos de pedra do Hotel Roma, onde dormiam cerca de 50 pessoas.
Mattarella elogiou "o esforço extraordinário" que as equipes de resgate fizeram na "zona vermelha", onde os meios de comunicação não têm acesso e onde somente restam ruínas. Outra cerimônia, sem corpo presente, foi organizada na quarta-feira para honrar as vítimas de Accumoli e Amatrice, as outras duas aldeias arrasadas pelo devastador terremoto.

A ponte que conduz a Amatrice foi fechada na sexta-feira (26) por novas rachaduras, obrigando as equipes de resgate a construir um desvio com rolos compressores e evitar que a aldeia fique incomunicável. Segundo os dados dos satélites do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), o solo baixou cerca de vinte centímetros nesta região.

Muitas das vítimas eram turistas e crianças que passavam férias com seus avós que residem na região. Mais de 24 milhões de italianos vivem em zonas de risco sísmico, e o país carece de uma cultura de prevenção, reconheceu o governo do país.