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Bahamas Off shore/Paraíso fiscal

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Bahamas Leaks: empresa offshore de ex-comissária europeia cria polêmica

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A ex-comissária europeia Neelie Kroes terá que se explicar sobre seu envolvimento com offshore enquanto assumia cargo público. Reuters

A Comissão Europeia exigiu explicações da holandesa Neelie Kroes, ex-comissária do bloco encarregada da Concorrência, que dirigia uma empresa offshore nas Bahamas durante seu mandato em Bruxelas. O caso foi revelado em mais um escândalo de vazamento de informações secretas, batizado de Bahamas Leaks.


Segundo informações reveladas pelo jornal francês Le Monde, que faz parte do Consórcio internacional de jornalistas de investigação (ICIL na sigla em inglês) que teve acesso aos documentos confidenciais, Neelie Kroes teria sido, durante dez anos, diretora da Mint Holdings Limited, uma empresa registrada no paraíso fiscal caribenho. A comissária não declarou essa função às autoridades quando assumiu o cargo público. Na época, ela afirmou ter abandonado todas os demais mandatos, uma condição para poder assumir a função em Bruxelas.

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão, fez uma carta na qual pede explicações a Neelie Kroes, que foi comissária encarregada da Concorrência entre 2004 e 2009. "A Comissão Europeia quer ter esclarecimentos (…) Quando tivermos todas as informação vamos decidir que medidas serão tomadas”, declarou nesta quinta-feira (22) Margaritis Schinas, porta-voz da entidade, sem dar detalhes sobre as sanções possíveis.

Neelie Kroes se pronunciou sobre o escândalo por meio de um comunicado enviado por seus advogados às agências de notícias. Em nota, ela disse que não sabia que ainda estava registrada como diretora da offshore em 2002.

Seus advogados informaram que ela foi “recrutada apenas para negociar a coleta de fundos para a compra de ativos da Enron, gigante norte-americana da energia, que faliu em 2001”. Ainda de acordo com o comunicado, “ela nunca foi paga, nunca teve ações da Mint Holdings Limited e nunca assistiu a nenhum conselho de direção”.

Luta contra paraísos fiscais

Esse caso é uma “incitação suplementar para se ir além na luta contra a evasão e a fraude fiscais, rumo ao estabelecimento de uma lista negra de paraísos fiscais”, declarou o comissário dos Assuntos Econômicos e Financeiros, Pierre Moscovici. Mesmo tom do lado da eurodeputada ecologista Eva Joly. Para ela, o episódio mostrou mais uma vez que “os paraísos fiscais são um câncer para nossa sociedade e que a ‘delinquência do colarinho branco’ continua sendo tolerada”.

Além da comissária europeia, o Bahamas Leaks revelou mais de 175 mil offshores em nome de outras personalidades, como a família do presidente argentino Mauricio Macri; a secretária do Interior do Reino Unido, Amber Rudd; o pai do ex-premiê britânico David Cameron, Ian Cameron; o filho do presidente da Nigéria Sani Abacha, Abba Abacha, ou ainda o filho do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, Marco Antonio Pinochet. Nomes de brasileiros não foram mencionados, mas a lista completa ainda não foi revelada.