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Spray anti-imigrantes é distribuído na Dinamarca

Nova polêmica na Dinamarca envolvendo a acolhida de imigrantes no país. Depois da lei que permite o confisco de bens de refugiados, adotada no início de 2016, agora um partido de extrema-direita dinamarquês está indo às ruas distribuir um tubo de spray que eles chamam de “spray do asilo”, numa referência aos estrangeiros que procuram refúgio no país. Segundo os integrantes do Partido dos Dinamarqueses, o spray deve ser usado por mulheres que se sintam ameaçadas de violência sexual por parte de imigrantes, mas a distribuição tem gerado protestos de diversos setores da sociedade, que acusam o partido de racismo.

Margareth Marmori, correspondente da RFI em Copenhague

O spray contém laquê e é encontrado em qualquer perfumaria do país. Mas, na embalagem do produto, o Partido dos Dinamarqueses colocou um rótulo onde está escrito “spray asilo” e também as palavras “legal” e “eficiente”, o que muitos veem como uma tentativa de imitar as embalagens de repelentes de insetos.

De acordo com integrantes da sigla nacionalista, o ideal seria distribuir spray pimenta, mas, como a substância é proibida na Dinamarca, eles resolveram usar o laquê.

Violência contra as mulheres é justificativa para a campanha

No último final de semana, houve um ato de protesto na cidade de Haderslev, onde há alguns meses um refugiado foi acusado de estuprar uma mulher dinamarquesa. Além disso, segundo estatísticas oficiais, os homens imigrantes e seus descendentes cometem duas vezes mais estupros do que os dinamarqueses. Mas muitos consideram que a campanha discrimina todos os estrangeiros, inclusive a maioria que não comete nenhum crime.

O Partido dos Dinamarqueses foi fundado por Daniel Carlsen, um ex-nazista, e defende a expulsão do país de todos os estrangeiros que não tenham origem ocidental. O partido não tem representação no parlamento mas está em campanha para reunir 20 mil assinaturas que lhe garantiriam o direito de participar das próximas eleições.

Maioria dos dinamarqueses condena distribuição

Há quem apoie a distribuição e uma prova disso é que, de acordo com o partido, quase 150 pessoas levaram o spray para casa. Mas, pelo que se vê nas redes sociais, a maioria dos dinamarqueses condena o ato. Em duas das maiores cidades do país, um grupo está usando o Facebook para organizar demonstrações pedindo uma atitude mais positiva da população em relação aos refugiados.

Até agora o governo não se manifestou sobre o assunto. É possível que isso aconteça em breve devido à repercussão internacional negativa do tema. Além disso, de acordo com o site de notícias da CNN, a Agência das Nações Unidas para Refugiados lamentou que este tipo de incidente esteja acontecendo na Dinamarca contra pessoas que já sofreram tanto.

Alguns políticos dinamarqueses estão cobrando uma posição enérgica do governo contra a radicalização dos grupos de extrema-direita no país. A deputada do Partido Radical, Zenia Stampe, alertou que o Partido dos Dinamarqueses não é o único a acirrar o debate sobre imigrantes e lembrou associação batizada de SIAD, que significa Pare a Islamização da Dinamarca.

No último fim de semana, a SIAD fez por conta própria o patrulhamento de trechos da fronteira do país com a Alemanha. O grupo chegou a parar pessoas que atravessavam a fronteira para averiguar se eram refugiados tentando entrar ilegalmente no país. O grupo promete que vai continuar o patrulhamento e deter pessoas que considerar que estejam em situação irregular até a chegada da polícia.

Número de refugiados na Dinamarca está diminuindo

Apesar desse acirramento do debate sobre imigrantes, a chegada de refugiados caiu muito nos últimos meses. A Dinamarca recebeu 21.000 pessoas em busca de asilo em 2015, mas este ano esse número deve ficar em apenas 7.500. A queda tem sido tão grande que o governo decidiu fechar 17 campos de refugiados e reduzir a capacidade de outros seis campos.

Segundo Copenhague, vários motivos explicam a diminuição no fluxo de migrantes, entre eles, o controle nas fronteiras em toda a Europa e regras mais rígidas na Alemanha, que é a principal passagem para a Dinamarca.

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