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Igreja católica proíbe guardar ou espalhar cinzas de mortos

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O cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller apresentou as novas normas da igreja católica sobre os mortos nesta terça-feira (25) no Vaticano. ALBERTO PIZZOLI / AFP

A igreja católica divulgou nesta terça-feira (25) as novas diretrizes para a sepultura de mortos e a conservação das cinzas daqueles que são cremados. Duas das principais orientações prometem gerar polêmica entre os fiéis: o Vaticano proibiu espalhar esses restos mortais ou mantê-los guardados em casa.


Segundo as normas, anunciadas pelo cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, as cinzas devem ser mantidas em um cemitério ou em um local sagrado. "Não é permitida a conservação das cinzas no lar" nem "a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água".

De acordo com Müller, a decisão evita "que os mortos sejam esquecidos por suas famílias e pela comunidade cristã", impedindo que as cinzas se convertam "em recordações, joias e outros objetos", assim como a distribuição das cinzas de um falecido entre diferentes parentes. Em coletiva de imprensa no Vaticano, o cardeal explicou que a decisão também serve para evitar "possíveis descuidos e falta de respeito por parte das gerações sucessivas".

A norma do Vaticano reitera a posição tradicional da Igreja, que recomenda que os corpos dos mortos sejam enterrados em cemitérios ou santuários. "Caso o falecido tenha decidido pela cremação e dispersão de suas cinzas na natureza por razões contrárias à fé cristã, seu funeral deve ser negado", recomenda o novo texto. Portanto, as pessoas que desejarem que suas cinzas sejam espalhadas não poderão ter funerais católicos, segundo a decisão aprovada pelo papa Francisco em março deste ano e divulgada nesta terça-feira.

A nova norma é anunciada poucos dias da celebração do Dia das Almas, data católica em memória dos mortos, 2 de novembro. Com a resolução, a instituição quer preservar a importância que a morte e a ressurreição têm para seus fiéis.

Cremação continua sendo permitida

Apesar das proibições, a cremação é uma prática permitida desde 1963 pela igreja católica. No entanto, o hábito, que se difundiu em muitos países, "também sempre esteve acompanhado pela propagação de ideias que estão em desacordo com a fé", disse Müller.

O cardeal lembrou, entretando, que em casos "excepcionais e graves", os bispos locais podem conceder a permissão de conservar as cinzas em casa. A exceção valeria, por exemplo, a zonas de guerra, ou locais onde há dificuldade para sepultar os mortos.