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Papa Francisco Missa Vaticano detentos

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Papa Francisco recebe mil detentos durante missa no Vaticano

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Papa Francisco neste domingo (6) na Basílica de São Pedro, depois de celebrar missa em homenagem a detentos. REUTERS/Tony Gentile

Mil detentos foram convidados pelo papa Francisco para participar de uma missa neste domingo (6) na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Na celebração, o sumo pontífice pediu às autoridades civis reduções de pena e melhorias na vida dos presos.


Os detidos, de 12 nacionalidades distintas, estavam todos presos na Itália, com exceção de 35 presos que viajaram da Espanha para assistir a missa. Apesar de alguns dos presentes estarem em liberdade condicional ou gozarem de uma permissão penitenciária, outros convidados ao evento cumprem prisão perpétua.

O Vaticano recebeu também outras 3 mil pessoas para participarem da cerimônia, entre familiares de detentos e funcionários de prisões.

O papa, que visitou muitas vezes detidos, tanto na Itália como no exterior, recordou seu sentimento durante esses encontros. "Cada vez que vou a uma prisão, me pergunto por que eles e não eu? Todos temos a possibilidade de errar", afirmou.

O difícil caminho da reinserção

Em sua homilia, o sumo pontífice aconselhou os condenados a "não se fecharem em seu passado" e defendeu "a reconciliação" com as vítimas. Francisco também criticou o difícil caminho à reinserção: "às vezes, certa hipocrisia quer vê-los unicamente como pessoas que cometeram crimes, para que o único caminho seja o da prisão".

Além disso, o papa criticou as "contradições" de uma sociedade cercada por preconceito, nas marcas ideológicas, leis dos mercados financeiros e do individualismo. "Esquecemos que somos todos pecadores e que várias vezes somos prisioneiros sem nos darmos conta disso", reiterou.

Depois do Ângelus, celebrado na praça de São Pedro, após a missa, ele fez um apelo às autoridades civis por atos de "clemência" com alguns detidos e defendeu uma justiça que "não seja exclusivamente punitiva. Também pediu uma melhoria nas condições de vida nas prisões para que "a dignidade humana dos detidos seja respeitada plenamente".

"Um homem condenado por toda a vida"

Um dos detentos discursou durante a missa ao lado da mãe do jovem Andrea, de 15 anos, quem assassinou há 25 anos. "Sou um homem condenado por toda a vida", anunciou o homem que cumpre a pena máxima na prisão de alta segurança de Opera, norte da Itália.

"Tive sentimentos de terror e de raiva contra ele, que roubou a vida do meu filho", disse Elisabetta, a mãe do adolescente assassinado, que participou de um programa de encontros entre vítimas e condenados. "Não foi fácil", reconheceu.

Em março, quando o detento obteve sua primeira permissão para deixar a prisão em 24 anos, ele foi ao túmulo de Andrea. Na ocasião, recebeu o apoio e a companhia da mãe do garoto.